Uma decisão histórica a favor do bem-estar animal estabeleceu um precedente há poucos dias. O juiz penal contravencional e de faltas Gonzalo Viña ordenou a entrega de 160 vacas maltratadas a duas organizações protetoras.
Em primeiro lugar, foi comprovada uma situação de abandono e maus-tratos por parte de seus proprietários.
O fato veio à tona após um extenso processo judicial iniciado a partir de uma denúncia de crueldade animal.
Bem-estar animal: decisão histórica e final feliz para 160 vacas
As vacas maltratadas. (Foto: Radio Güemes).
O fato remonta a um longo período. Os animais haviam sido apreendidos em fevereiro de 2023 em um campo na localidade de Gobernador Ugarte, província de Buenos Aires, como parte de um processo que tramitou no Juízo Nº 1 da Cidade de Buenos Aires.
Nesse local, as vacas eram mantidas em condições deploráveis: sem acesso regular a alimentos ou água, em um ambiente insalubre e sem cuidados veterinários.
Após uma extensa avaliação, o magistrado determinou que os 160 bovinos sejam entregues sob depósito judicial às ONGs Cruzada Civil e Projeto Galgo Argentina.
Ambas as entidades que atuaram como amicus curiae e possuem experiência no resgate e cuidado de animais em situação de vulnerabilidade.
O que acontecerá com as vacas maltratadas
A decisão judicial também estabelece que as vacas maltratadas não poderão ser abatidas nem utilizadas comercialmente, e que seu cuidado deve seguir estritas diretrizes de bem-estar animal.
Isso inclui relatórios periódicos apresentados ao tribunal. O juiz Viña fundamentou sua decisão na Lei 14.346 de Maus-Tratos aos Animais. Citou ainda a importância de proteger os animais como “seres sencientes”, em conformidade com os princípios do direito animal contemporâneo.
Também ressaltou que “o abandono e a negligência sistemática constituem formas de crueldade” que não podem ser toleradas.
Um avanço para a justiça ambiental e os direitos dos animais
As organizações protetoras celebraram a decisão como “um grande passo para a consolidação dos direitos dos animais no âmbito judicial argentino”.
Em particular, o Projeto Galgo Argentina destacou que se trata de “uma medida histórica, onde o Estado reconhece o papel das ONGs como garantidoras do bem-estar dos animais não humanos”.
Este caso estabelece um importante precedente no tratamento legal de casos de maus-tratos animais na atividade pecuária, muitas vezes invisibilizados. Reforça também o papel fundamental da justiça ambiental e das organizações civis na defesa daqueles que não podem se manifestar por si mesmos.
O destino das vacas.
A entrega destes animais para ONGs marca um marco no sistema judicial argentino e coloca em pauta a necessidade de regulamentar mecanismos de proteção efetiva para animais apreendidos por maus-tratos.
Dessa forma, busca-se não apenas resgatá-los do sofrimento, mas também garantir-lhes uma vida digna em ambientes seguros e compassivos.



