A dois meses da morte do elefante Tamy, o último exemplar que vivia no Ecoparque de Mendoza e se preparava para viajar para um refúgio, confirmaram as causas do falecimento.
É que, nas últimas horas, apresentaram o relatório do Serviço de Veterinária do local. Tamy tinha 55 anos e faleceu em 24 de junho.
O paquiderme faleceu devido a um “processo crônico multissistêmico” ligado ao desgaste próprio de sua idade. Não foram encontradas evidências de infecções ativas nem doenças contagiosas.
Soube-se do que Tamy morreu: o que diz o relatório da autópsia do elefante
A necropsia, realizada imediatamente com a participação de 12 veterinários, um observador externo e um fotógrafo, garantiu um processo totalmente transparente.

Os estudos anatomopatológicos e de laboratório revelaram que Tamy apresentou múltiplas falhas orgânicas progressivas, sem que nenhuma causa aguda tivesse provocado seu falecimento.
As análises confirmaram lesões em diversos órgãos do elefante, destacando-se:
- Nefropatia crônica severa: com substituição fibrosa do tecido renal, dilatação do ureter e cálculos que atingiram os 9 centímetros.
- Hepatopatia moderada a severa: com congestão e bordas do fígado sem suavidade.
- Artropatia severa: no quadril e carpos, compatível com artrose avançada.
Por outro lado, os estudos microbiológicos descartaram infecções ativas. Os cultivos de pelve renal e articulações resultaram negativos, e as sorologias para brucelose e leptospirose não detectaram presença dessas doenças.
A autópsia concluiu que a causa do falecimento foi uma falha multiorgânica crônica, associada ao envelhecimento e deterioração progressiva de Tamy.
Os últimos meses de Tamy no exZoológico de Mendoza
O animal estava recebendo assistência veterinária permanente por suas dores articulares, e contava com um recinto especial para treiná-lo e poder levá-lo ao Santuário no Brasil.
Seu caso apresentava maior dificuldade devido à idade, aos problemas que carregava desde sua vida no circo e suas condições físicas.
Tamy, o elefante asiático de 55 anos que chegou a Mendoza após um circo tê-lo deixado por não poder levá-lo para o Chile, faleceu nas últimas horas.
Nos últimos anos, trabalhou-se para melhorar seu bem-estar e preparar sua mudança para um santuário no Brasil. Nas próximas horas será realizada a necropsia e serão conhecidos detalhes sobre a causa de seu falecimento.
A história de Tamy

Ele havia chegado a Mendoza em 1984, depois de ter sido deixado pelo Circo Hermanas Gasca, que, por não possuir permissões para atravessar a rodovia com o animal, decidiu “doá-lo” e seguir viagem.
Recém-chegado, e durante algumas horas, o elefante asiático macho esteve, no entanto, em liberdade. Durante a primeira tarde de Tamy no ex-zoológico, aproveitou um descuido e fugiu.
No entanto, conseguiram recapturá-lo e desde então permaneceu no mesmo local. Embora fosse o pai de Guillermina (fêmea que vivia no mesmo local), o macho ficou separado de sua filha e da mãe. Elas duas, por outro lado, nunca foram separadas.
Seu comportamento, segundo especialistas, mostrava sinais de estresse crônico, uma consequência comum em elefantes privados de seu ambiente natural.
Há uma década, a Direção de Biodiversidade e Ecoparque do Governo de Mendoza, juntamente com a Fundação Franz Weber e o Santuário de Elefantes do Brasil, trabalhavam de forma constante em um plano de reconversão que incluiu o recondicionamento de seu espaço, um protocolo de atendimento veterinário constante e um sistema de treinamento positivo.



