O tradicional jogo do “porco ensaboado” foi reinstalado este ano durante as celebrações do Dia do Amigo na localidade santafesina de Ramona.
Isso gerou uma forte polêmica por maus-tratos animais. Organizações ambientalistas e protetoras repudiaram a atividade por considerá-la uma prática violenta, anacrônica e contrária às leis de proteção animal vigentes na Argentina.
O “porco ensaboado”: repúdio e denúncias por maus-tratos em Santa Fe
O “jogo” realizado no evento, organizado como parte de uma festa popular, consistiu em soltar um porco em um campo ensaboado para que os participantes tentassem capturá-lo. Trata-se de um costume que havia sido descontinuado em anos anteriores após inúmeras críticas.
A ONG Protecionistas Unidos por la Vida repudiou publicamente o evento, e argumentou que se trata de um claro caso de maus-tratos e humilhação animal.
Alertaram que o uso do porco como objeto de entretenimento vai contra a Lei Nacional 14.346, que sanciona os maus-tratos e a crueldade contra os animais.
“O porco ensaboado não é folclore nem tradição, é crueldade”, expressaram desde a organização. Exigiram que se proíba a realização desse tipo de espetáculos em todo o país, sem exceções.
A prática foi repudiada e denunciada. (Foto: La Capital).
Também lembraram que esse tipo de prática promove a banalização da violência contra os seres vivos, principalmente em ambientes onde participam crianças.
O que disse o município diante das acusações
Apesar da polêmica, desde o município de Ramona defenderam a realização do evento, argumentando que foi uma atividade “festiva e cultural” e que o animal “não foi ferido”.
No entanto, as imagens divulgadas nas redes sociais, onde se vê os participantes perseguindo o porco em um terreno escorregadio, geraram um forte repúdio por parte dos cidadãos, protetores e referentes ambientais de toda a província.
Também se juntaram à denúncia entidades como o Instituto de Direito Animal do Colégio de Advogados de Rosario. Neste caso, alertaram que esse tipo de atividades poderiam configurar crimes penais se for comprovado dano físico ou psicológico ao animal.
As reivindicações por uma legislação mais rigorosa
O caso reacendeu o debate sobre a necessidade de atualizar a legislação em nível nacional em matéria de proteção e bem-estar animal. A lei vigente é de 1954 e apresenta limitações para abordar casos complexos como os espetáculos públicos com animais.
Diversas organizações exigem uma reforma legal integral que proíba expressamente o uso de animais em jogos e espetáculos. Além disso, aponta-se para sancionar os organizadores e autoridades que permitam essas práticas sob o argumento da “tradição”.
Uma polêmica com história: o que aconteceu em Mendoza
A prática consiste em usar um porco para persegui-lo.
No final de 2022, uma polêmica semelhante se gerou na província de Mendoza, a partir do mesmo “jogo” do porco ensaboado.
Naquela época, Associações de defensores dos direitos animais repudiaram os membros do Conselho Deliberante da cidade de Malargüe, que aprovaram a autorização de encontros culturais e costumes tradicionais, incluindo os do “porco ensaboado” e “corrida de galinha” por considerá-los atividades “carregadas de crueldade”.
“Ambos os jogos infringem a Lei Nacional 14.346 de proteção aos animais, a qual proíbe expressamente todo ato onde se machuque ou hostilize os animais”, indicaram no comunicado emitido naquela época.



