A Marinha da Colômbia acompanhou recentemente a travessia de mais de 19.000 tartarugas marinhas neonatas em direção ao mar no arquipélago de San Andrés, Providencia e Santa Catalina, marcando um marco na proteção de espécies ameaçadas.
A iniciativa faz parte do projeto “Santuário Azul das Tartarugas Marinhas”, que busca consolidar os cayos do departamento como um refúgio natural para tartarugas e aves migratórias.
Supervisão e acompanhamento na eclosão
O Batalhão de Infantaria de Marinha No. 11, sob o Comando Específico de San Andrés e Providencia, supervisionou a eclosão de 155 ninhos, garantindo que milhares de neonatos pudessem iniciar sua vida no oceano.
O Cayo Serrana destacou-se como o principal ponto de concentração de ninhos de três espécies presentes no arquipélago:
- Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), em perigo crítico de extinção.
- Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), catalogada como vulnerável.
- Tartaruga-verde (Chelonia mydas), também ameaçada.
Ciência e conservação: monitoramento e marcação das tartarugas marinhas
A colaboração entre a Marinha da Colômbia e a Fundação Tartarugas do Mar, através do Projeto Fi Wii Riif, permitiu avanços no monitoramento, marcação e contagem de desovas.
Em 2025, a doação de equipamentos especializados facilitou o registro de chegadas e a identificação de exemplares, fortalecendo a base de dados para a conservação.
Formação ambiental e Reserva da Biosfera SeaFlower
Os Fuzileiros Navais recebem capacitação contínua em:
- Proteção de ninhos.
- Marcação de exemplares.
- Reconhecimento de espécies.
Seu trabalho se desenvolve dentro da Reserva da Biosfera SeaFlower, reconhecida por sua biodiversidade. Além disso, mais de sete instituições educativas participaram em jornadas de sensibilização sobre a importância ecológica das tartarugas, consideradas “jardineiros dos corais” por seu papel no controle de algas nos recifes.
Educação e sensibilização comunitária
Durante a temporada de nidificação (maio a dezembro), a Marinha visitou mais de 14 escolas do arquipélago, promovendo a proteção das tartarugas-de-pente, cabeçuda e verde.
A caça e comercialização da tartaruga-de-pente está proibida na Colômbia desde 1977, e a educação ambiental enfatiza a ilegalidade e o impacto negativo de seu consumo.

Desafios de sobrevivência e estratégia de “escolta”
O tenente-coronel Moisés Palerm, comandante do Batalhão de Infantaria de Marinha No. 11, explicou que a mortalidade de neonatos é extremamente alta:
- Apenas 10 de cada 100 tartarugas conseguem chegar ao mar.
- Dessas, apenas 1 de cada 100 alcança a idade adulta.
Para contrariar essa situação, a Marinha implementou a estratégia de “escolta”, que consiste em acompanhar os neonatos durante seu trajeto ao mar. Isso aumenta suas chances de sobrevivência em até 10%.
Um projeto emblemático das Forças Militares
“O Santuário Azul das Tartarugas Marinhas é o projeto ambiental mais importante que as Forças Militares da Colômbia têm”, destacou o tenente-coronel Palerm.
O oficial sublinhou que apenas na ilha Bolívar foram registrados 70 ninhos de tartaruga-de-pente, um número muito superior ao encontrado em outras áreas do Caribe ou do Pacífico colombiano. No total, o arquipélago supera os 200 ninhos, consolidando-se como um epicentro de nidificação na região.
Conclusão: proteger o azul da bandeira
O trabalho conjunto entre a Marinha, fundações e comunidades educativas demonstra que a conservação de espécies em perigo requer tanto ações militares e científicas quanto educação cidadã.
“O slogan da Armada Nacional é proteger o azul da bandeira, e o que queremos é contribuir para que esse azul sempre permaneça vivo”, concluiu Palerm.
O Santuário Azul das Tartarugas Marinhas se consolida assim como um modelo de conservação integral, onde a proteção da biodiversidade se torna um compromisso nacional e comunitário.



