A liberação de animais silvestres resgatados marcou um marco em Santa Fe durante 2025.
Este ano, a província sustentou e aprofundou um importante plano que permitiu reabilitar e liberar mais de 520 exemplares.
Dos 520 exemplares liberados em 2025, a maioria foram aves (mais de 400), seguidas por mamíferos (cerca de 100) e répteis em menor medida.
Esta liberação de animais foi realizada em diferentes áreas protegidas da província.

O resgate e a reabilitação antes da liberação dos animais
A esta estratégia, recentemente se somou uma nova ação sobre o fechamento do ano: uma equipe do Centro de Resgate La Esmeralda realizou uma nova jornada de reinserção na reserva de Cayastá.
Lá, devolveram ao seu habitat natural um capivara, dois gatos-do-mato, 13 gambás e o jacaré “Ricardito”.
O centro, dependente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, abriga entre 1500 e 2000 animais de diferentes espécies.
Muitas estão em risco de extinção ou são consideradas monumentos naturais, como o cardeal-amarelo, a águia-coroada, pumas e exemplares de lobo-guará.
Os animais chegaram ao centro por situações diversas: tráfico ilegal, criação como animais de estimação, posse indevida, atropelamentos ou doenças.
O acesso se deu por meio de denúncias, apreensões ou entregas voluntárias de particulares.
Após o ingresso, cada exemplar passou por uma área de quarentena e recuperação. Veterinários e especialistas analisaram se era possível sua reinserção em ambientes naturais conforme seu estado físico e comportamento.

A jornada na Reserva La Elena
A equipe viajou até La Elena, em Cayastá, departamento Garay. Esta estância privada de 3.800 hectares faz parte das Reservas de usos múltiplos (RUM) que integram o sistema provincial de áreas naturais protegidas.
A zona combina as ecorregiões do espinhal, pampa úmida e pântano, o que a torna um espaço chave para a liberação de animais silvestres.
Mauro Pergazzere, veterinário e diretor da Delegação Centro do Ministério do Meio Ambiente, liderou a expedição junto a Hernán Ciocan, doutor em Ciências Biológicas e chefe de Habitat.
Os gatos-do-mato pretos de seis meses foram os primeiros a recuperar sua liberdade. Resgatados de um campo de San Justo por posse ilegal, os felinos se adentraram entre a pastagem e um pântano sob a sombra de um algarrobo.
Os 13 gambás, crias de três a quatro meses encontradas sozinhas ou órfãs, foram colocadas em ceibos próximos ao caminho.
Algumas mostraram resistência inicial, mas finalmente subiram pelas ramas ou escaparam para a vegetação.
A capivara adulta chegou ao centro em 2024 após uma denúncia policial. Foi atacada por cães na cidade com múltiplas mordidas em um olho, nas costas e nos lados.
Após meses de recuperação, nadou decidida em direção a uma lagoa cercada de camalotes e desapareceu em uma ilhota de floresta.
O jacaré Ricardito, que passou anos no Instituto Malbrán, completou a jornada de liberação de animais em outra zona da reserva.

Conservação e equilíbrio do ecossistema
“Cada espécie cumpre uma função essencial dentro do ecossistema. A presença desses animais e as interações que se geram entre eles contribuem para o equilíbrio natural, permitindo que os ecossistemas se mantenham saudáveis e funcionem corretamente”, afirmou Pergazzere.
A ação representa o último elo de uma estratégia de conservação que busca, além disso, abrir o centro à comunidade.
O objetivo é multiplicar a consciência de cuidar do ambiente como uma necessidade fundamental para desenvolver uma vida sustentável nos próximos anos.
Espécies liberadas na jornada:
- 1 capivara (fêmea adulta)
- 2 gatos-do-mato pretos
- 13 gambás overos
- 1 jacaré
A liberação de animais silvestres continua como parte do compromisso provincial com a conservação da biodiversidade nativa e a proteção de ecossistemas ameaçados.



