O bettong de cauda em escova, um marsupial que lembra um canguru em miniatura, está conseguindo uma surpreendente recuperação após ter estado à beira da extinção. A introdução de predadores como gatos e raposas selvagens com a colonização europeia no século XVIII dizimou suas populações em toda a Austrália, levando-o a ocupar apenas 1% de seu habitat original.
Assim como outros marsupiais, o bettong de cauda em escova cria seus filhotes em uma bolsa, mas tem um instinto de sobrevivência incomum: se ameaçado, pode expulsar sua cria e fugir em uma direção oposta para distrair o predador. Embora esse comportamento possa parecer cruel, tem sido fundamental para a persistência da espécie em um ambiente hostil.
Entre 1999 e 2010, a população de bettongs de cauda em escova diminuiu em 90%, provavelmente devido à combinação de predação, destruição do habitat e propagação de parasitas sanguíneos.

Marna Banggara: um projeto para a restauração ecológica
Para reverter essa crise, em 2019 foi lançada a iniciativa Marna Banggara na península de Yorke, na Austrália do Sul. Este projeto busca recuperar espécies nativas que desapareceram com a colonização europeia, em colaboração com a comunidade indígena Narungga.
O primeiro passo foi a instalação de uma cercadura de 25 km para criar uma área protegida de 150.000 hectares, reduzindo o impacto dos predadores e permitindo a reintrodução dos bettongs, chamados “yalgiri” na língua Narungga. Entre 2021 e 2023, quase 200 indivíduos de diversas populações foram liberados para aumentar a diversidade genética da espécie.
Pequenos jardineiros do ecossistema
O bettong de cauda em escova desempenha um papel crucial no ecossistema. Sua dieta é baseada em fungos subterrâneos, sementes e insetos, tornando-se um eficaz “jardineiro natural”. Ao escavar em busca de alimento, remove entre duas e seis toneladas de solo por ano, favorecendo a filtragem da água, a germinação de plantas e a regeneração do ecossistema.
Os resultados do programa superaram as expectativas. Em um monitoramento recente, quase 40% dos bettongs capturados eram descendentes dos introduzidos e 22 das 26 fêmeas estavam com crias, indicando que a espécie está se reproduzindo com sucesso em seu novo lar.

Rumo a um futuro mais sustentável
O sucesso da reintrodução do bettong de cauda em escova é apenas o começo. A equipe de Marna Banggara espera restaurar mais espécies extintas na região, como o bandicut marrom do sul e o cuol ocidental.
Além do impacto ecológico, esse tipo de projetos também pode impulsionar a economia local através do turismo e da agricultura sustentável. “A conservação não precisa ser excludente”, afirma Derek Sandow, gerente do projeto. “Proteger a biodiversidade pode trazer benefícios tanto ambientais quanto econômicos”.
Algumas particularidades do bettong de cauda
O bettong de cauda em escova é um marsupial nativo da Austrália que se caracteriza por sua cauda preênsil e sua semelhança com um canguru em miniatura. Esse animal bípede tem uma bolsa onde guarda seus filhotes e é conhecido por ser um grande escavador, mas também por:
- Estado de conservação: Encontra-se em perigo crítico de extinção, pois diminuiu 90% entre 1999 e 2010. Atualmente, está limitado a algumas ilhas e áreas isoladas no sudoeste da Austrália.
- Estratégia de sobrevivência: Quando se sente ameaçado, expulsa sua cria da bolsa e pula em outra direção para escapar dos predadores.
- Reintrodução: Foi reintroduzido com sucesso na Península de Yorke, no sul da Austrália. Essa reintrodução faz parte de um projeto que busca recuperar a diversidade ecológica da região.
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