Numa decisão que gerou fortes reações por parte de organizações ambientalistas e defensores dos direitos dos animais, a elefanta Ely, do México, sofreu um revés judicial.
A Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) local rejeitou o amparo que solicitava sua transferência para um santuário.
A elefanta africana de 37 anos, vive no Zoológico de Chapultepec e buscam transferi-la para um santuário especializado onde poderia viver em condições mais adequadas à sua espécie.
Por que a elefanta Ely permanecerá no zoológico
A decisão, emitida na terça-feira, confirma que Ely ficará em cativeiro, e desconsidera os argumentos que alegavam maus-tratos, solidão e estresse crônico.
A elefanta vive há mais de uma década no zoológico da capital, em condições que ativistas e especialistas consideram inadequadas para sua saúde física e emocional.

A SCJN considerou que não foi comprovado um dano físico evidente que justificasse a transferência. Além disso, as autoridades do Zoológico de Chapultepec asseguraram que Ely recebe atenção veterinária, alimentação adequada e enriquecimento ambiental diário, e que seu estado de saúde não requer realocação.
A Procuradoria Ambiental e de Ordenamento Territorial (PAOT) também afirmou que o recinto cumpre com as condições mínimas necessárias para sua manutenção, embora reconheça que o ambiente não reproduz fielmente o habitat natural do animal.
Quem é Ely e por que seu caso gerou tanto debate?
Ely foi importada da África e viveu em diferentes zoológicos mexicanos. Ao longo dos anos, sua história se tornou emblemática para as organizações que lutam contra o uso de animais selvagens em espetáculos e centros de exposição.
Seu caso se tornou um símbolo do debate sobre os direitos dos animais no sistema legal mexicano.
Os demandantes argumentavam que Ely sofre estresse crônico, isolamento social e falta de estimulação ambiental. Algo que seria reversível em um santuário onde pudesse interagir com outros elefantes, se deslocar livremente e recuperar comportamentos naturais.
Reações de ambientalistas e próximos passos
Diversas organizações como Animales Héroes, International Elephant Foundation e PETA Latino manifestaram seu repúdio à decisão.
Denunciaram que uma oportunidade histórica foi perdida para avançar na reconstrução ética do vínculo entre humanos e animais selvagens em cativeiro.
Os ativistas anunciaram que continuarão promovendo campanhas para que Ely seja transferida para um santuário internacional, e destacaram a necessidade de modificar as leis que ainda permitem o confinamento de espécies selvagens em zoológicos urbanos.
A elefanta “mais triste do mundo”
Durante mais de sete anos, Ely esteve sozinha no zoológico para onde foi levada após ser resgatada de um circo. Ela deprimiu, se batia contra as paredes e estava muito magra.
Por isso, os ativistas que denunciaram sua situação a chamaram de Ely, a “elefanta mais triste do mundo”. No entanto, conseguiram algo inédito para a justiça mexicana.
A Suprema Corte de Justiça decidiu na quarta-feira conceder um amparo a esta elefanta africana, que vive há 13 anos no zoológico de San Juan de Aragón. É para que seus cuidadores melhorem seu habitat e garantam sua saúde.
Os ativistas buscam que ela possa viver em um santuário de elefantes.
Diana Valencia, diretora e fundadora da associação local Abriendo Jaulas y Abriendo Mentes, que impulsionaram o caso, relatou a situação. “Ely estava em condições péssimas. Acredito que não demoraria a morrer”, expressou à agência AP.
Essa batalha legal começou em 2016, junto com outros defensores dos animais. Eles pedem a libertação da elefanta, que tem entre 43 e 45 anos, ou sua transferência para um santuário onde possa estar com mais exemplares.



