Para proteger as espécies em risco no rio Paraná, Santa Fe suspende a exportação de peixe por um ano

Santa Fe tomou uma decisão drástica: suspenderá o armazenamento de peixe de rio com destino à exportação durante um ano completo.

A medida, que começa no próximo 3 de dezembro, busca frear a pressão sobre espécies em risco do rio Paraná.

No entanto, já gerou protestos entre pescadores locais.

Santa Fe suspende a exportação de peixe para cuidar do sábalo

A resolução responde a um contexto ambiental crítico evidenciado pelo Projeto Ebipes, que integra Nação, províncias, universidades e a Prefectura Naval.

Os estudos revelam dados alarmantes: apenas seis de cada 100 exemplares de sábalo estão em condições de se reproduzir.

“Este dado é inquietante, já que o sábalo é a base da cadeia alimentar do rio Paraná“, advertiu o governo santafesino em seu comunicado oficial.

Além disso, também se trata de “uma das principais espécies destinadas ao consumo interno e exportação“.

As autoridades de Entre Ríos apreenderam toneladas de peixe ilegal. Foto: Pixabay.

Por isso, o governo de Santa Fe decidiu esta suspensão com o objetivo de “reduzir a pressão extrativa para assegurar sua sustentabilidade”.

“A evidência científica é contundente”, destacou o ministro do Meio Ambiente e Mudança Climática da jurisdição, Enrique Estévez, a respeito.

A proibição afeta as espécies capturadas no rio Paraná e seus afluentes.

No entanto, cabe destacar que não impede a pesca artesanal nem o consumo local.

Tampouco alcança a venda de peixes provenientes de criadores, apenas às espécies de rio com destino de exportação.

Com esta medida, Santa Fe sustenta que busca ordenar a atividade e conservar os peixes do Paraná.

Segundo o governo provincial, esta medida ajudará para que a pesca, da qual dependem centenas de famílias, possa continuar no tempo de maneira sustentável.

“A medida não afetará o consumo local nem a exportação de peixes de criadouro”, ressaltou Estévez.

E reforçou: “Buscamos preservar a biodiversidade e garantir o futuro da atividade pesqueira”.

Defeso do surubim e baixa histórica agravam o panorama

Paralelamente, desde 1° de novembro vigora um defeso total para a pesca comercial e esportiva do surubim pintado e atigrado, que se estenderá até 31 de dezembro de 2025.

Os especialistas consultados apontaram que a situação crítica se origina por múltiplos fatores:

  • a baixa prolongada do rio Paraná;
  • as baixas temperaturas, e;
  • a intensa pressão pesqueira.

“Os níveis atuais do leito geram uma desconexão entre o rio e as lagunas de desova, o que dificulta a reprodução natural”, explicaram.

A isso se soma a captura de exemplares adultos, os únicos com capacidade reprodutiva.

O sábalo, que se alimenta de sedimentos e matéria orgânica do fundo, é alimento essencial para espécies como o dourado e o surubim.

Sua diminuição impacta não só no ecossistema, mas também na economia regional.

Os pescadores independentes rejeitam a medida

Apesar de que a medida busca proteger o ambiente e a produção, a reação dos pescadores não se fez esperar.

Trabalhadores do rio realizaram cortes intermitentes na rota nacional 168 que conecta Santa Fe com Paraná, na altura da Fonte da Cordialidade.

Jesús Pérez, presidente da Associação de Pescadores de Santa Fe, questionou a efetividade da medida em diálogo com LA NACION.

“[A decisão do governo provincial] não prejudica as empresas, porque podem continuar armazenando peixe em Paraná ou trazê-lo de Buenos Aires”, criticou.

“O 75% dos pescadores abastece frigoríficos, enquanto que os 25% restantes vendem ao mercado interno, que atualmente está colapsado e sem vendas”, justificou Pérez.

Os pescadores reclamam retomar a lei provincial 12.212, que permite cuidar os recursos três meses ao ano.

“Queremos cuidar do recurso, mas também proteger as famílias dos trabalhadores do rio“, insistiu.

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