O Tribunal Federal N°2 de San Nicolás, sob a responsabilidade do juiz Carlos Villafuerte Ruzo, decretou o processamento sem prisão preventiva de duas pessoas acusadas de comercializar aves silvestres provenientes da caça furtiva, no âmbito de um caso de tráfico de fauna e depredação ambiental.
A investigação foi promovida pela Sede Fiscal Descentralizada de San Nicolás, sob a direção do promotor Matías Di Lello.
Aves protegidas, redes sociais e cadernos com provas
O fornecedor operava a partir de Granadero Baigorria e vendia espécies através do Facebook.
Durante as buscas realizadas em fevereiro de 2024, foram apreendidas 20 gaiolas com espécies como pintassilgos dourados, reina mora, cardeais de penacho vermelho, corbatitas e varilleros congo, além de cadernos com anotações de preços, vendas e exemplares mortos, que confirmaram a atividade ilícita.
“O bem jurídico protegido é a fauna silvestre em si mesma, além de sua utilidade para o indivíduo”, destacou o juiz Villafuerte Ruzo.
Investigação e monitoramento: como foi detectada a rede de tráfico de aves silvestres
A Polícia Federal Argentina identificou movimentos suspeitos e publicações em redes sociais.
O caso foi iniciado em 2023, quando a Brigada da Divisão Unidade Operacional Federal San Nicolás detectou que um homem vendia aves no bairro Plastiversal.
No grupo do Facebook “Gallinas San Nicolás”, o usuário Darío G. oferecia “aves de todo tipo”, incluindo papagaios amazônicos.
Por meio de atividades de inteligência, foi registrado o ingresso de uma caminhonete com gaiolas na residência do acusado, e foi constatada a entrega de exemplares por parte de Sergio G., oriundo de Granadero Baigorria.

Buscas e resgate de fauna silvestre
As aves foram entregues à Brigada de Controle Ambiental e encaminhadas à Fundação Temaikén.
- San Nicolás: foram encontrados cardeais, corbatitas e aves sem vida
- Granadero Baigorria: foram encontradas 29 aves vivas, entre elas pintassilgos, reina mora, varilleros e uma ave manón
Também foram apreendidos cadernos com contatos e registros de venda, um deles dentro de um veículo estacionado na garagem.
Espécies em risco e marco legal
As aves estão protegidas pela Lei 22.421 e algumas estão listadas em convenções internacionais.
A inspetora Mariángeles Montero, assessora legal da Brigada de Controle Ambiental, confirmou que todas as espécies pertencem à fauna silvestre autóctone.
Algumas, como o cardeal de penacho vermelho e a ave manón, estão incluídas no Apêndice II da CITES, que regula o comércio internacional de espécies ameaçadas.
Responsabilidade penal e medidas cautelares
Embargos e inibições de até um milhão de pesos para os acusados.
O juiz considerou provada a materialidade dos fatos e decretou embargos de $600.000 e $1.000.000 respectivamente. Caso não possuam bens suficientes, foi ordenada a inibição geral de ambos os acusados.



