Duas operações recentes em La Plata e Chaco revelaram uma realidade preocupante: o tráfico de aves exóticas continua ativo e ameaça não apenas as espécies protegidas, mas também o equilíbrio ecológico do país. Em ambos os casos, as condições de confinamento e maus-tratos foram fundamentais para acionar legalmente os responsáveis.
Em La Plata, uma operação no Bairro Aeroporto resultou na detenção de um homem e no resgate de 20 aves enjauladas sem condições mínimas de salubridade. A intervenção foi resultado de investigações sobre o comércio ilegal de fauna, respaldadas pela Polícia Ecológica e pela Superintendência de Segurança Siniestral.
As aves, algumas autóctones e outras exóticas, eram mantidas em espaços reduzidos, sem água nem cuidados veterinários. Entre os exemplares encontrados estavam cardeais, pintassilgos, tico-ticos e cabeças-preta, todos protegidos por leis de conservação.
O detido foi acusado de maus-tratos aos animais e por violação das normativas de proteção ambiental. As autoridades não descartam uma possível ligação com redes de tráfico mais amplas.

Uma prática clandestina com graves consequências
Em Chaco, o bairro Las Palomas foi palco de outro mandado judicial, onde mais de 100 aves de diferentes espécies foram resgatadas e foram detectados sinais de criação ilegal. A operação, liderada pelo Ministério Público de Investigação Rural e Ambiental, encontrou gaiolas improvisadas, filhotes e ovos armazenados em condições precárias.
Os animais apresentavam sinais de desnutrição e estresse, o que motivou sua transferência imediata para o Zoológico Municipal de Roque Sáenz Peña para sua recuperação. Também foi encontrada uma cadela com evidências claras de maus-tratos, ampliando as acusações por crueldade aos animais.
Entre as aves apreendidas estavam agapornis, periquitos australianos, sabiás, cacatuas, cardeais e espécies em fase reprodutiva. Isso reforça as suspeitas de que o local funcionava como centro de criação clandestina e comercialização.
Seis em cada dez animais silvestres retidos para o comércio ilegal na Argentina são aves. Foto: Aves Argentinas
Tráfico de aves: fauna silvestre e ecossistemas em risco
A captura e posse ilegal de aves silvestres tem impactos ecológicos profundos. Muitas dessas espécies desempenham papéis fundamentais em seus habitats, como a dispersão de sementes ou o controle de pragas, e sua extinção altera a biodiversidade local.
Além disso, o estresse e as condições de cativeiro podem causar doenças que se propagam entre os exemplares e, em alguns casos, afetam também outras espécies ou até humanos. Essa prática, além de cruel, implica riscos sanitários e ambientais.
As autoridades insistem em denunciar o tráfico de fauna e lembrar que comprar animais silvestres fomenta uma cadeia de sofrimento e dano ambiental. As leis existem, mas somente com consciência e ação cidadã podemos frear essa ameaça invisível que devasta nossos ecossistemas.



