El Niño acelera o desaparecimento do pinguim-de-Humboldt no Peru: colônias reduzidas a mínimos históricos

O pinguim de Humboldt, ave endêmica da Corrente de Humboldt que percorre as costas do Chile e Peru, enfrenta um rápido desaparecimento no litoral peruano.

Pesquisadores encontraram ninhos vazios, filhotes desnutridos e colônias praticamente abandonadas, onde a população passou de mais de 2.000 exemplares para apenas três em apenas quatro anos.

O fenômeno de El Niño costeiro aquece as águas, desloca a anchova —principal alimento da espécie— e deixa os pinguins sem recursos para sobreviver e se reproduzir.

Fatores que agravam a situação

O biólogo marinho Carlos Zavalaga, diretor da Unidade de Pesquisa em Ecologia e Conservação de Aves Marinhas da Universidade Científica do Sul, explicou que o deterioro não responde apenas ao aquecimento do mar. Entre as ameaças adicionais estão:

  • Influenza aviária H5N1, que afetou aves marinhas entre 2022 e 2023.
  • Pesca industrial de anchova, que reduz a disponibilidade de alimento.
  • Captura acidental em redes artesanais.
  • Presença de ratos em ilhas guaneras, que devoram ovos e afugentam as aves.

Resultados do censo

O censo realizado entre maio e junho pela Universidade Científica do Sul, em colaboração com a Oikonos, revisou dez colônias desde a ilha Foca (Piura) até Punta Ocles (Moquegua). O uso de drones permitiu contar com precisão os exemplares reprodutores.

Os achados foram alarmantes:

  • Na ilha Macabi, a população caiu de mais de 2.000 pinguins em 2020-2021 para apenas três em 2025.
  • Em Guañape Norte, já não resta um único ninho habitado.
  • Em Pachacamac (Lima), onde havia meio milhar de aves, hoje não resta nenhuma.
  • Em Melchorita (Cañete), os ninhos passaram de 200 em abril para apenas cinco ou dez em maio.
pinguim de Humboldt
O pinguim de Humboldt enfrenta uma crise no Peru.

Mortalidade e migração

Zavalaga apontou que parte das aves poderia migrar para o sul, enquanto muitas morrem e seus corpos aparecem encalhados nas praias. A última contagem anual, realizada por Serfor e ONGs internacionais, informou em 2025 uma redução de 60%, com uma população de apenas 5.465 aves.

Sobre os corpos encontrados na costa, o pesquisador indicou que a maioria teria morrido por falta de alimento, embora não descarte a influência do vírus H5N1.

Falta de capacidade de resgate

No Peru não existe infraestrutura para recuperar pinguins encalhados, incubar ovos abandonados ou alimentar filhotes desnutridos. No entanto, podem ser adotadas medidas para que, ao terminar El Niño, as aves encontrem condições mínimas para se reproduzir sem perturbações.

Entre as pressões que devem ser reduzidas estão:

  • Sobrepesca de anchova.
  • Pesca em áreas marinhas protegidas.
  • Captura acidental em redes.
  • Turismo próximo a colônias.
  • Controle de ratos em ilhas guaneras.

O desaparecimento acelerado do pinguim de Humboldt no Peru é um caso extremo que reflete a vulnerabilidade das espécies marinhas frente às mudanças climáticas e à pressão humana.

Sem medidas urgentes de conservação e redução de ameaças, a recuperação das colônias será impossível.

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