Milhares de peixes morreram no lago Pilchowickie, no sudoeste da Polônia, após o esvaziamento quase total do reservatório em coincidência com uma onda de calor extremo. A combinação de obras de renovação e temperaturas elevadas reduziu drasticamente o oxigênio disponível na água, deixando os exemplares presos em áreas rasas e lamacentas.
Moradores, pescadores e organizações ambientais denunciaram o impacto ecológico e exigiram respostas, enquanto as autoridades locais investigam a extensão dos danos.
Cenas de devastação após a onda de calor
Testemunhas relataram imagens impactantes: peixes agonizando por horas e um cheiro penetrante na área. Sociedades de pesca tentaram resgatar animais e transferi-los para outros reservatórios, mas a magnitude da mortandade superou qualquer esforço.
Um representante do círculo de pesca Grodzkie declarou: “A imagem dos danos é aterradora e o cheiro difícil de descrever. Apenas os peixes pequenos que conseguiram passar pelas grades da galeria de derivação sobreviveram”.
Risco de contaminação no rio Bóbr
O esvaziamento do reservatório arrastou sedimentos acumulados durante décadas para o rio Bóbr, que atravessa um parque paisagístico. Esses lodos podem conter compostos tóxicos e metais pesados, embora a composição exata ainda esteja sob análise.
Os primeiros resultados do Inspectorado Regional de Proteção do Meio Ambiente (WIOŚ) mostram uma queda drástica no nível de oxigênio e deterioração dos parâmetros da água abaixo da barragem.
Antecedentes: a lembrança do Óder
O acontecimento evoca a tragédia ambiental do rio Óder em 2022, quando a mortandade massiva de peixes e organismos aquáticos ao longo de centenas de quilômetros evidenciou falhas na vigilância e prevenção.
A Associação Polonesa de Pesca lembrou que “falharam todas as instituições do Estado responsáveis pelas águas continentais”.

Resposta oficial e críticas
A empresa responsável pelo reservatório assegurou que as obras foram realizadas conforme os procedimentos e com as autorizações correspondentes. Também afirmou ter adotado medidas para limitar o impacto e notificou a conclusão da campanha de recolhimento de peixes mortos.
No entanto, a magnitude do desastre gera dúvidas sobre a avaliação de riscos e a preparação frente a fenômenos meteorológicos extremos.
Medidas imediatas
As autoridades ambientais mantêm:
- Monitoramento contínuo da qualidade da água.
- Ações de limpeza na área afetada.
- Recomendações à população para evitar o contato com o rio Bóbr até que a situação se normalize.
- Apoio aos habitantes para analisar a qualidade da água em poços privados.
Até o momento não se reportam espécies protegidas afetadas, embora a vigilância continue ativa.
A mortandade massiva no lago Pilchowickie expõe a vulnerabilidade dos ecossistemas frente à combinação de obras humanas e fenômenos climáticos extremos.
O arraste de sedimentos tóxicos para o rio Bóbr reforça a necessidade de planos de contingência mais sólidos e de políticas ambientais que priorizem a proteção da biodiversidade em um contexto de ondas de calor cada vez mais frequentes.



