Na localidade de Los Berros, província de San Juan, foi realizado um operativo contra o tráfico de fauna silvestre, entre eles aves autóctones e as corridas clandestinas de cães. A intervenção esteve a cargo da Polícia de Sarmiento, através da Unidade Rural 4 El Acequión, no âmbito de uma investigação por infração à lei de proteção de fauna autóctone.
Durante as buscas foram recuperados 55 exemplares de diferentes espécies, entre elas bem-te-vis, cardeais de topete vermelho, diucas, pintassilgos e loicas. Todos esses exemplares estão protegidos por normativas nacionais e provinciais que proíbem sua captura, posse e comercialização.
Além disso, foram apreendidas mais de 70 gaiolas, armadilhas e transportadores, junto com elementos relacionados a corridas ilegais de galgos, entre eles focinheiras e um quadro de bicicleta modificado.

Um delito que ameaça a vida silvestre
O tráfico de espécies autóctones é um dos principais delitos ambientais na Argentina. A cada ano, milhares de aves são extraídas de seu ambiente natural para serem vendidas como animais de estimação ou utilizadas em competições, o que provoca um grave dano aos ecossistemas e às populações silvestres.
Esses animais sofrem estresse, desnutrição e ferimentos durante sua captura e transporte. A maioria não sobrevive às condições de confinamento nem consegue se readaptar ao seu habitat se forem libertados.
A nível ecológico, a perda de exemplares altera as cadeias alimentares, afeta a polinização e a dispersão de sementes, e contribui para o desequilíbrio ambiental. Proteger essas espécies não só preserva seu bem-estar, mas mantém a saúde dos ecossistemas que sustentam a vida na região.
As consequências legais do tráfico de fauna
As leis nacionais e provinciais de proteção de fauna autóctone contemplam sanções severas para aqueles que capturam, comercializam ou mantêm espécies silvestres em cativeiro.
O artigo 24 da Lei Nacional N.º 22.421 estabelece penas que incluem multas econômicas, confisco dos exemplares e prisão de até quatro anos para os responsáveis. Essas medidas buscam desencorajar o comércio ilegal e a posse de animais de estimação, além de garantir a recuperação e reinserção dos animais resgatados.
A nível provincial, as autoridades também podem aplicar sanções administrativas, como a inabilitação para exercer atividades relacionadas com animais ou o fechamento de estabelecimentos que não cumpram as normas. A colaboração cidadã através de denúncias é fundamental para detectar e frear essas práticas.

Como o tráfico afeta as espécies e seus habitats
Cada animal capturado representa uma perda para seu ambiente natural. As aves, por exemplo, cumprem funções essenciais no controle de pragas, na regeneração de florestas e na estabilidade do solo.
Quando são retiradas de seu ecossistema, rompem-se relações ecológicas que demoram anos para se restabelecer. Além disso, o comércio ilegal introduz doenças e espécies exóticas que colocam em risco a fauna nativa e a biodiversidade local.
O tráfico de fauna não é apenas uma questão de conservação, mas também de equilíbrio ambiental e saúde pública, já que o contato indevido com animais silvestres pode favorecer a transmissão de vírus e parasitas às pessoas.
Compromisso e denúncia cidadã
A luta contra o tráfico de fauna requer a participação de todos. As autoridades instam a população a não comprar nem manter animais silvestres como animais de estimação, e a denunciar qualquer atividade suspeita relacionada com sua captura ou venda.
Quem desejar reportar casos pode entrar em contato com as Unidades Rurais 1 e 2 pelo telefone (264) 583-2804, ou com organismos provinciais de controle ambiental.
Proteger a fauna é proteger a identidade natural do país. Cada resgate e cada denúncia contribuem para frear o avanço de um delito que ameaça não só os animais, mas também o equilíbrio dos ecossistemas que todos compartilhamos.



