Um operativo conjunto entre os órgãos ambientais de San Juan e San Luis permitiu o resgate de nove exemplares de cardeal-de-topete-vermelho, uma espécie emblemática da região cuyana, que haviam sido capturados de forma ilegal.
As aves foram transferidas para o Centro de Conservação da Vida Silvestre (CCVS) de La Florida, em território puntano, onde iniciaram seu processo de reabilitação e readaptação ao ambiente natural.
Segundo informou a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de San Juan, os cardeais foram vítimas de caça furtiva e comércio ilegal, uma prática que continua colocando em risco a biodiversidade autóctone.
Do governo de San Luis destacaram que esta ação se enquadra em uma estratégia que prioriza a proteção da fauna silvestre e promove a restituição de espécies em seus habitats originais.
Avaliação veterinária e readaptação progressiva
Os especialistas do CCVS confirmaram que os exemplares foram transferidos para San Luis por se tratar de seu habitat natural. Lá permanecerão sob observação sanitária e comportamental, em um processo que inclui quarentena, avaliação ecológica e treinamento de voo.
“Muitos dos cardeais apresentavam sinais de habituação a gaiolas pequenas, o que afeta sua musculatura e capacidade de deslocamento”, explicaram da equipe veterinária.
Por isso, após a quarentena, serão transferidos para uma gaiola voadora, um espaço projetado para medir sua força alar e capacidade de adaptação, antes de serem liberados definitivamente. O objetivo é que recuperem seus comportamentos naturais e possam sobreviver em liberdade.
Os cardeais-de-topete-vermelho resgatados em San Juan foram transferidos para San Luis.
O cardeal-de-topete-vermelho: símbolo regional e vítima do tráfico
Esta espécie se destaca por seu topete escarlate, seu bico marfim e suas asas escuras. Habita em florestas, pastagens e zonas rurais, onde desempenha funções ecológicas chave como a dispersão de sementes e o controle de insetos. Alimenta-se de frutas, sementes e invertebrados, e constrói seus ninhos sobre galhos, depositando entre três e quatro ovos esverdeados com manchas ocres.
O tráfico ilegal de fauna silvestre continua sendo uma das principais ameaças para as aves nativas do país. Capturadas com armadilhas e redes, muitas morrem durante o transporte ou sofrem estresse extremo. Da pasta ambiental puntana destacaram que “as aves silvestres devem viver em liberdade, são atores fundamentais no equilíbrio dos ecossistemas“.
Tráfico de aves na Argentina: uma problemática urgente
Estas são algumas considerações sobre o tráfico ilegal de aves na Argentina:
- Altíssima mortalidade: estima-se que 9 em cada 10 animais capturados morrem antes de chegar ao destino
- Aves mais afetadas: cardeal-amarelo, reinamora, papagaio-falante e tordo-amarelo, entre outros
- Motivações: valor ornamental, canto atrativo, colecionismo e taxidermia
- Rotas ilegais: a Argentina é origem e ponto de triangulação para exportação de fauna
- Riscos sanitários: contato com animais silvestres pode gerar doenças emergentes
O que está sendo feito para combater essa problemática e como colaborar?
- Controles e legislação: reforçam-se medidas legais e operações nas fronteiras
- Campanhas educativas: organizações como Aves Argentinas e WCS Argentina promovem a denúncia e o respeito pela fauna
- Capacitação institucional: formam-se forças de segurança e agentes de controle
- Investigação e monitoramento: levantam-se rotas, espécies e áreas de pressão
- Centros de resgate: como o CCVS, desempenham um papel fundamental na reabilitação e reintegração de animais
Como você pode ajudar?
- Não compre animais silvestres: alimenta o ciclo do tráfico
- Denuncie: se vir venda ilegal, pode fazê-lo de forma anônima
- Observe em liberdade: plante plantas nativas em seu jardim e participe de saídas de observação de aves



