O Cazaquistão libertou quatro tigres de Amur (siberianos) na Reserva Natural Ile-Balkhash, com o objetivo de recuperar o extinto tigre do Turan ou do Cáspio (Panthera tigris virgata), desaparecido da Ásia Central há mais de 70 anos.
O grupo inclui um macho e uma fêmea adultos de entre 3 e 4 anos, além de dois filhotes de 6 a 7 meses, capturados em liberdade na região russa de Khabarovsk.
A iniciativa faz parte de um programa internacional de conservação de longo prazo, previsto para os próximos 40 a 50 anos, e conta com o apoio da Rússia, que em novembro de 2025 assinou uma folha de rota conjunta com o Cazaquistão para facilitar a adaptação dos tigres ao seu novo habitat.
Monitoramento e segurança
Os tigres usam coleiras GPS satelitais que permitem aos especialistas seguir seus movimentos e estado de saúde 24 horas por dia. Este sistema de monitoramento busca garantir a segurança dos animais e prevenir conflitos com populações humanas próximas.
A zona de reintrodução, localizada no sul de Balkhash ao longo do rio Ile, foi parte do habitat histórico do tigre turaniano. Há uma década, as autoridades cazaques prepararam o terreno liberando kulans (asnos selvagens) e cervos de Bukhara para assegurar uma base de presas estável. Atualmente, a reserva protegida abrange 1,2 milhões de hectares.
Recuperação de presas e ecossistemas
Até o momento foram liberados 119 kulans, além de populações locais de javalis e corços que se reproduziram com sucesso. Segundo o ministro da Ecologia do Cazaquistão, Yerlan Nyssanbayev, esta base de presas permite que os tigres vivam com conforto e cumpram seu papel como superpredadores.

Antecedentes do projeto
O Cazaquistão anunciou pela primeira vez sua intenção de reintroduzir tigres em liberdade no Fórum Internacional para a Conservação do Tigre realizado em São Petersburgo em 2010. Em 2024 já haviam sido transferidos dois tigres de Amur dos Países Baixos, provenientes do santuário Stichting Leeuw.
Historicamente, o tigre do Cáspio desapareceu em meados do século XX devido à caça e à perda de habitat. O último exemplar selvagem foi abatido no Uzbequistão na década de 1950. O tigre de Amur, seu parente genético mais próximo, oferece a possibilidade de recuperar o nicho ecológico perdido.
Importância global
O tigre de Amur é um dos grandes predadores mais escassos do mundo, com apenas 750 exemplares em liberdade na Rússia, segundo estimativas recentes.
Sua reintrodução no Cazaquistão contribui para o Programa Global de Recuperação do Tigre, que busca restaurar populações em diferentes países da Ásia.
Razões chave do programa
- Restauração de ecossistemas: os tigres regulam populações de herbívoros, evitando o sobrepastoreio e favorecendo a regeneração de florestas e zonas úmidas.
- Substituição do tigre do Cáspio: o tigre de Amur ocupa o mesmo nicho ecológico que seu parente extinto.
- Recuperação da biodiversidade: após uma década de preparação, a cadeia alimentar foi reconstruída com espécies chave como kulans e cervos.
- Marco internacional: é a primeira vez que um país reintroduz grandes felinos em um território onde se haviam extinguido.
A reintrodução de tigres de Amur no Cazaquistão é um marco histórico de conservação que busca devolver à Ásia Central um superpredador vital para o equilíbrio ecológico.
Este ambicioso programa não só tem impacto local, mas também reforça os esforços globais para salvar o tigre, uma espécie emblemática que enfrenta graves ameaças em todo o mundo.



