No coração do Vietnã, um grupo de ursos asiáticos, conhecidos como ursos da lua pela distintiva mancha branca em seus peitos, exploram com curiosidade seu novo lar.
Esses animais, que sofreram anos de confinamento em jaulas estreitas e foram submetidos à extração de bile para a medicina tradicional, agora desfrutam de um ambiente seguro e reabilitação integral.
O impacto dos programas de recuperação
Graças ao trabalho de veterinários e conservacionistas, os ursos recebem tratamentos físicos e psicológicos, abordando as sequelas de seu cativeiro.
As avaliações médicas identificaram problemas como:
- Danos no fígado, rins e vesícula devido aos métodos invasivos.
- Desnutrição severa, resultado de dietas inadequadas.
- Alterações psicológicas, como movimentos repetitivos devido ao estresse crônico.
O fim de uma prática cruel contra os ursos da lua
A extração de bile de urso, utilizada na medicina tradicional, tornou-se popular na Coreia do Norte, China e Vietnã a partir dos anos 70.
Embora o Vietnã tenha proibido essa prática em 2005, milhares de ursos permaneceram em cativeiro, e muitos ainda estavam sendo explorados ilegalmente.
Desde 2008, com a criação de santuários especializados, as autoridades resgataram mais de 600 exemplares, oferecendo-lhes um futuro livre de abusos.
Reabilitação e avanços veterinários
Os ursos resgatados passam por um processo de recuperação gradual, que inclui:
- Quarentena inicial, permitindo o primeiro contato com espaços abertos.
- Dietas balanceadas, com frutas, legumes e suplementos.
- Programas de socialização e exploração, adaptados ao seu comportamento.
Além disso, foram desenvolvidas técnicas médicas inovadoras, como:
- Endodontias, para tratar problemas dentários.
- Cirurgias de vesícula, removendo infecções crônicas.
- Fisioterapia, restaurando a mobilidade perdida.
O futuro da conservação no Vietnã
Embora a indústria da extração de bile tenha diminuído consideravelmente, ainda existem 177 ursos em cativeiro.
Para completar a erradicação dessa prática, a Animals Asia abriu um novo santuário em Bach Ma, com capacidade para abrigar e reabilitar os últimos exemplares.
Este avanço marca um ponto de virada na história da conservação animal, demonstrando que com infraestrutura, compromisso e legislação adequada, é possível mudar realidades e oferecer segundas chances.
Foto de capa Animals Asia



