Um novo desenvolvimento científico propõe uma alternativa ecológica e nutritiva para pessoas celíacas ou com dietas sem TACC. Trata-se de um pão sem glúten elaborado com farinha de alfarroba e goma brea, ingredientes extraídos de árvores nativas do bosque chaqueño. Esta inovação não só visa melhorar a alimentação, mas também promover o uso responsável de recursos naturais.
A proposta surgiu como parte de uma tese de graduação da carreira em Ciência e Tecnologia dos Alimentos. Sua autora formulou um pão integral, fofinho e levemente doce, com alto teor de proteínas e fibras, ideal para melhorar a digestão e reduzir o colesterol. O mais destacado: é elaborado com insumos regionais, reduzindo custos logísticos e o impacto ambiental.
A matéria-prima provém de uma cooperativa que trabalha com produtos do bosque nativo. A farinha é extraída das vagens do alfarrobeira branca, enquanto a goma brea é obtida do exsudado do chañar brea. Ao contrário do uso madeireiro, essas práticas não implicam em desmatamento, mas aproveitam os frutos e secreções naturais, conservando a biodiversidade.
Alimento saudável com raiz nativa
O processo para elaborar este pão contempla o respeito pelos ciclos naturais e o acrescento de valor a produtos florestais não madeireiros. Em vez de desmatar, propõe-se colher o que o monte oferece de forma renovável. Isso permite revitalizar economias locais, manter em pé as florestas e gerar uma indústria alimentar mais consciente.
A receita ótima baseia-se numa proporção de até 40% de farinha de alfarroba. Embora ainda falte avançar em provas sensoriais e ajustes para a escala industrial, o resultado preliminar é promissor: um alimento funcional que poderia competir no mercado saudável e sem glúten.
Este avanço foi reconhecido em diversos encontros acadêmicos de ciência e tecnologia. Além de seus benefícios nutricionais, o projeto destaca-se como exemplo de como o conhecimento científico pode transformar recursos naturais em produtos sustentáveis, acessíveis e de valor agregado. Uma aliança virtuosa entre saúde, ambiente e desenvolvimento local.
O que há que saber do glúten
O glúten é um conjunto de proteínas presentes de forma natural em cereais como o trigo, a cevada e o centeio. É responsável por conferir elasticidade e fofura às massas, já que ao misturar-se com água forma uma rede pegajosa que retém gases durante a fermentação. Por essa razão, é um componente chave na elaboração de pães, massas e produtos de confeitaria.
No entanto, o consumo de glúten pode causar sérios problemas de saúde em pessoas com doença celíaca, uma condição autoimune na qual o sistema imunológico ataca o intestino delgado ao detectar o glúten. Também existem pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca, que experimentam sintomas similares sem dano intestinal evidente.
Nos últimos anos, muitas pessoas optaram por dietas sem glúten, seja por motivos de saúde ou como escolha pessoal. Essa tendência impulsionou o desenvolvimento de alimentos alternativos à base de farinhas sem glúten, como arroz, milho, mandioca, quinoa ou leguminosas, ampliando a oferta de produtos adequados para diferentes tipos de consumidores.



