Cientistas descobriram que os peixes-palhaço diminuem seu tamanho corporal em resposta ao aquecimento dos oceanos. Trata-se de uma estratégia de sobrevivência que lhes permite otimizar seu consumo de energia em meio a intensas ondas de calor oceânicas.
O fenômeno foi observado na Papua Nova Guiné, onde alguns peixes de raias laranja emagreceram durante uma onda de calor, aumentando suas chances de sobrevivência.
Impacto das mudanças climáticas nos recifes de coral
As ondas de calor submarinas estão se tornando mais frequentes e intensas, provocando o desbotamento das anêmonas marinhas, habitat natural dos peixes-palhaço.
O estudo, publicado na Science Advances, monitorou 134 peixes na baía de Kimbe durante a onda de calor de 2023, revelando que 101 indivíduos reduziram seu comprimento em resposta ao estresse térmico.
Um mecanismo biológico ainda em estudo
Os cientistas ainda não determinaram como os peixes-palhaço encolhem, embora uma hipótese sugira que eles poderiam reabsorver sua própria matéria óssea.
Ao diminuir seu tamanho, os peixes necessitam de menos alimento, o que os ajuda a conservar energia em condições extremas.
Além disso, alguns casais reprodutores sincronizaram seu encolhimento, mantendo a hierarquia social em que as fêmeas são maiores que os machos.
Adaptações semelhantes em outras espécies
Embora esse fenômeno não tenha sido observado antes em peixes de recife, outras espécies também diminuem seu tamanho diante do estresse ambiental, como:
- As iguanas marinhas, que diminuem seu tamanho durante o fenômeno El Niño nas Galápagos.
Um processo de encolhimento reversível
Apesar do impacto das ondas de calor, os pesquisadores descobriram que a redução de tamanho era temporária.
Segundo Melissa Versteeg, da Universidade de Newcastle, os peixes-palhaço podem se recuperar e voltar a crescer quando as condições da água se tornam menos estressantes.
Esse achado reforça a importância da flexibilidade biológica na luta contra os efeitos do aquecimento global nos oceanos.



