Uma advertência recai sobre as florestas patagônicas após a divulgação de um preocupante relatório científico. O estudo revelou que esses ricos territórios estão passando por um sério deterioro e há uma relação direta com as secas e o calor extremo.
Esse processo, impulsionado pelas mudanças climáticas, se manifesta através da morte em massa de árvores, associada a secas extremas e ao aumento das temperaturas.
A evidência científica acumulada nas últimas décadas mostra que esse fenômeno não é um fato isolado, mas um processo em constante expansão.
O aquecimento na Cordilheira e o impacto na região
Esse deterioro ao qual as florestas estão expostas é evidenciado pela ciência em diferentes estudos realizados nos últimos anos. Um deles, citado por um artigo do jornal El Día (no qual participou um pesquisador da Universidade Nacional de La Plata e do CONICET), recentemente alertou sobre a gravidade da situação.
Isso ocorreu durante um encontro organizado pela Academia Nacional de Ciências Exatas, Físicas e Naturais.
Florestas patagônicas em alerta devido a secas e aquecimento global.[/caption>
“A Cordilheira, onde temos recursos emblemáticos como as florestas e os glaciares, está sofrendo um aquecimento bem evidente”, citou o meio, e ressaltou que os atuais níveis de dióxido de carbono na atmosfera são os mais altos em quatro milhões de anos.
A pesquisa mostra um claro aumento das temperaturas na região, acompanhado por uma drástica redução nas precipitações. Por exemplo, enquanto entre 1950 e 1980 apenas dois verões registraram menos de 100 milímetros de chuva, essa escassez se tornou comum desde então.
Patrimônio natural em risco
As florestas patagônicas andinas, que cobrem cerca de três milhões de hectares, são um dos patrimônios florestais mais valiosos do mundo.
Os riscos de incêndios aumentam com secas prolongadas. (Foto: arquivo- NA).
Além das mudanças climáticas, elas também enfrentam a ameaça constante de grandes incêndios florestais que reduzem sua área. O relatório citado aponta que, já nos anos 80, foi detectada uma mortalidade incomum de ciprestes perto de Bariloche.
Com o tempo, esse fenômeno se estendeu a outras espécies, como o lenga e o coihue. Um exemplo dramático é a Ilha Victoria, onde mais de 75% das árvores morreram devido à extrema seca de 2000.
Rumo a um futuro de gestão sustentável
Diante desse cenário alarmante, pesquisadores do CONICET, do INTA e de várias universidades criaram uma rede federal de monitoramento de florestas. O objetivo desta iniciativa é obter informações cruciais para implementar medidas de manejo florestal sustentável que permitam às florestas se adaptarem melhor às mudanças climáticas.
A preservação das florestas da Patagônia é vital não apenas para a vida natural desta rica região, mas também para as intensas atividades econômicas que delas dependem, como o turismo e a indústria madeireira.



