A Província de Buenos Aires anunciou o financiamento de sete redes federais de pesquisa integradas por 25 universidades públicas de todo o país. O investimento total será de 313 milhões de pesos, destinados a projetos que abordam energia, água, saúde, meio ambiente, estudos do mar, federalismo e emprego juvenil.
A medida surge em um contexto de forte corte nacional no sistema científico, com mais de 5.000 profissionais que abandonaram seus postos por perda salarial, falta de recursos e enfraquecimento institucional.
Convocatória e objetivos
A iniciativa, denominada “Projetos Bonaerenses de Federalização da Ciência e da Tecnologia”, foi impulsionada pela Comissão de Investigações Científicas (CIC) junto com o Ministério de Governo bonaerense.
Cada rede deverá reunir entre três e cinco universidades, incluindo pelo menos uma instituição bonaerense e outra de uma província com convênio de cooperação. Os projetos selecionados receberão 40 milhões de pesos cada um, mais fundos semente concedidos na etapa preparatória.
Universidades participantes
A rede inclui 11 universidades com sede em Buenos Aires e 14 de outras jurisdições, entre elas:
- Misiones
- Neuquén
- La Rioja
- Córdoba
- Entre Ríos
- La Pampa
- San Luis
- Jujuy
- Tierra del Fuego
- Río Negro
Este esquema busca sustentar pesquisas enfraquecidas pelo desfinanciamento nacional e fortalecer a cooperação interprovincial.
Áreas prioritárias de pesquisa
As redes trabalharão sobre temas estratégicos vinculados com a produção e a vida cotidiana:
- Transição energética.
- Acesso e manejo de recursos hídricos.
- Estudos do mar e ecossistemas costeiros.
- Saúde e políticas públicas sanitárias.
- Mudança climática e meio ambiente.
- Federalismo e governança territorial.
- Emprego juvenil e desenvolvimento social.
Processo de seleção
A convocatória teve duas etapas:
- Foram apresentadas 19 candidaturas.
- Um júri pré-selecionou 11 projetos, integrados por 39 nós universitários.
- Finalmente, foram selecionadas sete iniciativas que receberão financiamento completo.

Contexto nacional
Desde dezembro de 2023, o governo de Javier Milei aplicou uma política de corte sobre organismos científicos e universidades nacionais. Segundo o diagnóstico bonaerense, o orçamento nacional para ciência e tecnologia em 2026 registra uma queda próxima a 50% em termos reais em relação a anos anteriores.
A saída de mais de 5.000 cientistas e tecnólogos implica perda de conhecimento acumulado, interrupção de projetos e enfraquecimento de capacidades formadas durante décadas.
Impacto federal e social
O financiamento bonaerense não substitui uma política nacional, mas busca sustentar equipes e evitar que pesquisas estratégicas se apaguem. O benefício para as universidades será duplo:
- Fundos para desenvolver pesquisas em áreas prioritárias.
- Trabalho em rede com instituições de outras províncias, compartilhando capacidades, equipamentos e conhecimento territorial.
A presença de universidades de províncias como Misiones, Jujuy, Tierra del Fuego, Río Negro, La Rioja ou La Pampa mostra a intenção de ampliar o mapa científico além da área metropolitana.
A Província de Buenos Aires apresenta uma política de ciência aplicada com fundos próprios e articulação universitária.
Em meio ao ajuste nacional, o objetivo é sustentar pesquisas úteis para resolver problemas públicos e conservar capacidades que, uma vez perdidas, são difíceis de recuperar.



