Descobertas três novas espécies de rãs terrestres na Cordilheira de Huancabamba, ao norte do Peru.

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo herpetólogo Germán Chávez confirmou a descoberta de três novas espécies de rãs terrestres do gênero Pristimantis na Cordilheira de Huancabamba, localizada no departamento de Piura, ao norte do Peru.

Os resultados foram publicados na revista Evolutionary Systematics e marcam um marco no conhecimento sobre a biodiversidade dos Andes tropicais.

As espécies —Pristimantis chinguelas, P. nunezcortezi e P. yonke— foram descritas por meio de uma abordagem integradora que combina análises morfológicas, genéticas e bioacústicas, confirmando diferenças superiores a 3% em seu DNA em relação aos seus parentes mais próximos.

“Essas rãs nos lembram o quanto ainda precisamos descobrir sobre os Andes”, declarou Chávez em um comunicado. Seu colega e coautor do estudo, Wilmar Aznaran, destacou o valor biológico desta região montanhosa como um refúgio de endemismos únicos no mundo.

Um terreno hostil, uma riqueza única

A Cordilheira de Huancabamba não ultrapassa os 4.000 metros de altitude, mas seu relevo íngreme e clima variável têm dificultado as pesquisas científicas. Desde a década de 90, apenas 29 espécies de anfíbios foram registradas, muitas delas endêmicas.

Entre 2021 e 2024, a equipe realizou expedições noturnas em áreas como o Cerro Chinguelas, a Laguna Negra e a Floresta de Ramos, nas províncias de Huancabamba e Ayabaca. Caminharam até seis horas por noite, utilizando lanternas para rastrear rãs em micro-hábitats como bromélias, falésias e áreas ribeirinhas.

As novas espécies de rãs: adaptações únicas ao seu ambiente

1. Pristimantis chinguelas

  • Encontrada em uma falésia a 2.849 m acima do nível do mar
  • Corpo coberto de tubérculos, cor entre ocre e marrom castanho
  • Emitindo um canto agudo; nomeada em homenagem ao Cerro Chinguelas

2. Pristimantis nunezcortezi

  • Vive perto de um riacho em uma floresta em regeneração, a 2.593 m
  • Cor marrom avermelhado com manchas vermelhas, ventre laranja intenso
  • Dedicada ao ornitólogo Elio Núñez-Cortez, pioneiro na conservação local

3. Pristimantis yonke

  • A menor; associada a bromélias epífitas a quase 3.000 m
  • Cor canela com detalhes creme e amarelos
  • Seu nome evoca o “yonque”, aguardente tradicional contra o frio andino

Ameaças latentes: incêndios e perda de habitat

Apesar da relevância científica da descoberta, o panorama é preocupante:

  • Mais de 5.000 hectares de habitats naturais foram perdidos entre 2001 e 2023
  • O avanço da fronteira agrícola e os incêndios recentes colocam em risco direto essas novas espécies
  • Todas estão classificadas como “Dados Insuficientes” pela UICN, por estarem em áreas menores que 10 km² e com poucos exemplares observados

Um apelo urgente à ciência e à conservação

A equipe de pesquisadores insiste que a exploração está apenas começando na Cordilheira de Huancabamba e que é vital promover:

  • Novas campanhas de monitoramento, especialmente durante a estação seca
  • Medidas de proteção legal do território
  • Ações articuladas com as comunidades locais, guardiãs-chave dessa biodiversidade

“Poderíamos perder espécies únicas antes de conhecê-las plenamente. Esta descoberta não apenas documenta novas formas de vida, mas também alerta sobre um ecossistema em risco”, concluiu Chávez.

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