O satélite Landsat 9 da NASA capturou em 6 de janeiro de 2026 imagens surpreendentes na Terra da Rainha Maud, onde parte do gelo próximo ao Oásis Schirmacher adquiriu um intenso tom azul.
Este fenômeno, que hoje ocupa cerca de 1% da superfície antártica, pode se intensificar no futuro devido às mudanças climáticas.
Origem da cor azul
O gelo azul se forma quando a neve se acumula, se comprime e expulsa bolhas de ar. Ao carecer dessas bolhas, absorve os comprimentos de onda vermelhos e reflete os azuis, gerando um aspecto chamativo. É comum em áreas onde os ventos catabáticos removem a camada superior de neve.
Além de seu atrativo visual, essas zonas são valiosas para a ciência: permitem a busca de meteoritos e oferecem pistas sobre a dinâmica do gelo e os processos de sublimação e degelo sazonal.
Hidrologia superficial e conectividade
As imagens mostram uma rede de canais sinuosos carregados de água sobre a plataforma de gelo Nivlisen. Segundo a pesquisadora Geetha Priya Murugesan, esta fase reflete uma forte conectividade hidrológica, com água circulando de forma ampla e organizada.
Os estudos indicam que desde o ano 2000:
- A profundidade e volume de lagoas e canais cresceram 1,5 vezes.
- A superfície aumentou 1,2 vezes.
Isso sugere uma fragilidade estrutural na plataforma, já que os canais seguem fraturas e fissuras preexistentes, favorecendo a fusão e o escoamento para zonas vulneráveis.

Fatores que intensificam o degelo
- Rios atmosféricos que transportam umidade e calor.
- Ventos foehn que elevam a temperatura local.
- Baixo albedo do gelo azul, que absorve mais radiação solar.
Esses elementos aumentam a vulnerabilidade da plataforma e podem acelerar processos de fratura e perda de massa glacial.
Características do gelo azul antártico
- Origem: neve comprimida sem bolhas de ar.
- Localização: frequente na Terra da Rainha Maud.
- Importância científica: chave para a busca de meteoritos e estudos climáticos.
- Contraste paisagístico: lagos de degelo e buracos de crioconita enriquecem a paisagem.
Implicações globais
O fenômeno do gelo azul não é apenas um indicador local, mas também um sinal das mudanças que afetam a criosfera mundial. Processos semelhantes têm sido observados na Groenlândia, onde os lagos de degelo e a perda de massa glacial avançam rapidamente. Essas mudanças têm consequências diretas no aumento do nível do mar e na estabilidade dos ecossistemas polares.
A descoberta do gelo azul na Antártida oferece uma imagem impactante e um alerta científico sobre a transformação dos ecossistemas polares. A expansão dessas áreas pode se tornar um indicador visível do avanço das mudanças climáticas e da fragilidade das plataformas de gelo.



