Itália: pegadas fósseis revelam possível estampida de tartarugas marinhas que fugiam de um terremoto há 79 milhões de anos

Um grupo de escaladores identificou em uma parede rochosa do Monte Cònero, Itália, uma série de pegadas fósseis que chamaram a atenção por sua disposição e semelhança com rastros previamente encontrados na região.

Após contatar o geólogo Paolo Sandroni e o diretor do Observatório Geológico de Coldigioco, Alessandro Montanari, iniciou-se uma investigação que culminou com a publicação dos resultados na revista científica Cretaceous Research em novembro de 2025.

Interpretação científica

As pegadas foram atribuídas a tartarugas marinhas que teriam fugido de forma simultânea há cerca de 79 milhões de anos, durante o período Cretáceo. A análise geológica determinou que as marcas ficaram preservadas na formação de calcário Scaglia Rossa, um depósito marinho profundo que conserva registros de sedimentação ao longo de milhões de anos.

Segundo Montanari, a área que hoje faz parte de uma montanha era então um fundo marinho. As pegadas teriam sido seladas por uma avalanche submarina de lama provocada por um terremoto, o que permitiu sua conservação. Em condições normais, as correntes marinhas teriam apagado qualquer rastro.

pegadas fósseis
As pegadas fósseis foram encontradas em uma parede de rocha calcária nos Alpes italianos.

A hipótese sísmica

O contexto geológico apoia a ideia de que um terremoto submarino gerou uma avalanche que cobriu as pegadas. O exame microscópico das rochas revelou microfósseis de organismos de grande profundidade, reforçando a hipótese. Os pesquisadores sustentam que os únicos vertebrados capazes de deixar esse tipo de impressões naquele ambiente seriam répteis marinhos como as tartarugas.

No entanto, o paleontólogo Michael Benton adverte que ainda existem dúvidas sobre a autoria exata das marcas, por isso são necessários estudos adicionais para confirmar a interpretação.

Valor científico da descoberta

A descoberta fornece informações chave sobre como as espécies marinhas reagiam a catástrofes naturais durante o Cretáceo. Também oferece dados sobre a dinâmica dos ecossistemas marinhos em uma época dominada por grandes répteis e dinossauros.

Os especialistas destacam que essas evidências ajudam a compreender melhor os padrões de comportamento animal frente a mudanças ambientais abruptas, demonstrando que fenômenos geológicos como os terremotos já influenciavam o comportamento da fauna há milhões de anos.

O papel dos amadores

A descoberta destaca a importância das descobertas acidentais e o papel que podem desempenhar os amadores na identificação de novos sítios fósseis. Neste caso, a observação inicial dos escaladores foi fundamental para abrir uma linha de investigação científica com impacto internacional.

As pegadas fósseis do Monte Cònero representam um testemunho único da interação entre fenômenos geológicos e comportamento animal no Cretáceo. Embora ainda restem perguntas abertas sobre a espécie exata que as produziu, a descoberta reforça a ideia de que os terremotos e outros eventos naturais moldaram a vida marinha desde tempos remotos.

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