Diante das políticas de ajuste do governo de Javier Milei, o CONICET (Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas) denunciou um desfinanciamento sem precedentes.
Assim destaca um preocupante comunicado divulgado pela Rede de Diretores de Centros Científicos Tecnológicos do organismo de ciência nacional.
Este indica que o CONICET enfrenta um desfinanciamento que paralisa a pesquisa científica em todas as províncias argentinas, segundo seus diretores.
Isso se deve a uma série de decisões da Agência Nacional de Promoção da Pesquisa, do Desenvolvimento Tecnológico e da Inovação (Agência I+D+i).
Em particular, foram anulados projetos já aprovados e encerradas chamadas para pesquisas chave.
Por isso, as autoridades do CONICET expressaram uma “profunda preocupação institucional” pela situação da entidade em um contexto de ajuste estatal.
O desfinanciamento do CONICET afeta diretamente os Projetos de Pesquisa Científica e Tecnológica (PICT), fundamentais para o funcionamento dos centros de todo o país.

CONICET: anulam projetos e fecham chamadas
Segundo denunciaram os diretores do CONICET, a Agência I+D+i anulou as chamadas PICT 2022 que já contavam com adjudicação e compromisso orçamentário.
Além disso, foi encerrada a chamada PICT 2023 e anunciada uma nova modalidade que exclui áreas do conhecimento.
Os diretores qualificaram essas medidas como “um retrocesso sem precedentes” que representa “uma ruptura no desenvolvimento sustentado do sistema científico”.
O comunicado traz as assinaturas de todos os diretores das diferentes sedes do CONICET de todo o país.
A declaração enfatiza que “a pesquisa básica é o motor do conhecimento e uma base sem a qual não existe a inovação tecnológica genuína e soberana“.
Desconhecer o conjunto de áreas do conhecimento implica, segundo o documento, “restringir drasticamente a capacidade do país para enfrentar desafios complexos”.
Vale destacar que o sistema científico-tecnológico argentino não inclui apenas o CONICET, mas também organismos como o INTA, o INTI, a CNEA e as universidades nacionais.
Nesse sentido, os diretores apontaram que esse sistema “é um ativo estratégico da Nação que não pode operar sem financiamento público sustentado”.

Os quatro impactos críticos do desfinanciamento do CONICET
A declaração do CONICET identificou consequências graves do desfinanciamento do sistema científico nacional:
- Afetação da confiança institucional: a anulação de projetos avaliados e aprovados gera “um dano irreparável na planificação da pesquisa”
- Marginalização das ciências básicas: a exclusão dessas áreas representa “uma visão limitada e empobrecedora”
- Paralisação do sistema federal: a interrupção do financiamento paralisará a pesquisa em todas as províncias
- Redução da diversidade: limitar as chamadas a uma única modalidade restringe a capacidade de promover I+D+i
Vale destacar que os Centros Científicos Tecnológicos distribuídos federalmente dependem criticamente dos PICT para adquirir equipamentos, insumos e manter infraestruturas.
Por isso, o desfinanciamento também agrava as assimetrias regionais e limita o desenvolvimento equitativo.
A proposta do CONICET frente ao desfinanciamento
Os diretores do CONICET solicitaram às autoridades nacionais três ações concretas para reverter o desfinanciamento:
- Restabelecer e honrar os compromissos da chamada PICT 2022, na qual “trabalharam centenas de pessoas”;
- reabrir e garantir chamadas como PICT 2023.
- manter uma modalidade de financiamento plural e federal que reconheça “a crítica necessidade de investimento em ciências“.
Após isso, a declaração conclui com firmeza: “A ciência argentina requer estabilidade, previsibilidade e uma visão estratégica de longo prazo que promova a excelência em um marco de desenvolvimento produtivo e social inclusivo”.



