Retorno de 158 tartarugas gigantes às Ilhas Galápagos após 180 anos

O retorno das tartarugas gigantes a Floreana, nas Ilhas Galápagos, marca um marco após mais de 180 anos de ausência. Em 20 de fevereiro de 2026, foram liberados 158 exemplares jovens, um evento que entusiasma os biólogos e representa um passo crucial na restauração do ecossistema do arquipélago.

Esta reintrodução não é apenas simbólica; chega após anos de trabalho intenso para preparar o terreno e erradicar espécies invasoras. Floreana aspira a recuperar parte de seu rico ecossistema de mais de um século atrás, um esforço que está sendo observado de perto por especialistas.

As tartarugas liberadas pertencem à linhagem Chelonoidis niger niger, extinta localmente desde o século XIX. Segundo a Fundação Charles Darwin, esta é a primeira de 12 liberações planejadas dentro do Projeto de Restauração Ecológica de Floreana.

Com uma população de cerca de 160 pessoas, Floreana enfrenta desafios únicos na gestão de seu ambiente. Lorena Sánchez, diretora do Parque Nacional Galápagos, destaca a complexidade de gerir um espaço habitado, enquanto Verónica Mora, representante local, enfatiza a dependência econômica das condições do ambiente.

O desaparecimento original das tartarugas se deveu à intensa caça por baleeiros e à introdução de predadores como porcos e ratos que devastaram os ovos e filhotes. A ausência dessas tartarugas, que atuam como engenheiras do ecossistema, alterou significativamente a paisagem durante décadas.

As instituições envolvidas na reintrodução destacam que as tartarugas gigantes contribuem para a dispersão de sementes e para a manutenção de habitats abertos, o que, por sua vez, beneficia outras espécies. Nas palavras do Ministério do Ambiente e Energia do Equador, essas tartarugas desempenham um papel estratégico na regulação da vegetação.

O ressurgimento das tartarugas de Floreana começou com a descoberta de ascendência genética no vulcão Wolf da ilha Isabela. Esta descoberta permitiu reativar uma linhagem que se acreditava perdida. Hugo Mogollón, da Galápagos Conservancy, aponta que este sucesso é fruto de anos de pesquisa genética.

Após um programa de criação iniciado em 2017, foram produzidos mais de 600 filhotes, dos quais cerca de 300 estão prontos para serem liberados. O objetivo não é clonar uma espécie extinta, mas recuperar uma população semelhante em sua genética através de técnicas de reprodução seletiva.

Antes da liberação, cada tartaruga passou por um rigoroso processo de controle sanitário e manejo que incluiu quarentena, desparasitação e a implementação de microchips para seu monitoramento contínuo.

O momento da liberação foi cuidadosamente escolhido para coincidir com a temporada de chuvas, assegurando que a vegetação esteja em seu ponto mais abundante e que haja suficientes fontes de água.

A NASA desempenhou um papel crucial ao fornecer dados satélites que ajudam a identificar as melhores áreas para o retorno das tartarugas, considerando a umidade, temperatura e vegetação disponível hoje e no futuro.

As tartarugas liberadas contam com transmissores GPS leves para permitir um acompanhamento contínuo de seus movimentos e assegurar sua adaptação ao novo ambiente. O plano é manter adultos reprodutores em cativeiro para continuar produzindo coortes que serão liberadas progressivamente.

Apesar dos esforços contra espécies invasoras, Floreana ainda enfrenta desafios de convivência com plantas e animais introduzidos. No entanto, este projeto representa um compromisso a longo prazo para restaurar o equilíbrio ecológico da ilha mediante vigilância e ajustes constantes.

Para mais detalhes, o comunicado oficial sobre esta iniciativa foi publicado pelo Ministério do Ambiente e Energia do Equador.

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