Um passo em direção à ciência sem crueldade: a Universidade Austral do Chile proíbe o teste de natação forçada após diálogo com a PETA

A Universidade Austral do Chile (UACh) anunciou a proibição definitiva do teste de natação forçada, um experimento questionado por sua crueldade e falta de validade científica.

A medida foi oficializada através da Resolução N.º 10/2026 e comunicada pelo reitor Egon Montecinos à PETA, organização que celebrou a decisão e instou outras instituições a seguir o mesmo caminho.

Em que consiste o teste?

O teste de natação forçada era historicamente utilizado para avaliar fármacos antidepressivos em roedores:

  • Procedimento: o animal é colocado em um cilindro com água do qual não pode escapar.
  • Observação: após tentar escapar, o animal adota uma postura de flutuação.
  • Interpretação tradicional: a imobilidade era considerada um sinal de “desesperança aprendida” ou depressão.

No entanto, numerosos cientistas sustentam que flutuar é uma estratégia de sobrevivência para conservar energia, não um indicador de depressão.

Controvérsias e debate científico

O teste tem sido criticado por:

  • Validade científica: é considerado um preditor pouco confiável para tratamentos humanos.
  • Ética e bem-estar animal: submete os animais a altos níveis de estresse e medo.
  • Postura institucional: agências como o NIMH nos EUA e várias farmacêuticas deixaram de utilizá-lo.

Avanços na América Latina

A UACh é a segunda universidade na região a proibir formalmente esta prática, depois da Universidade do Vale na Colômbia (2023). Esta mudança reflete uma crescente rejeição social e acadêmica à experimentação animal em testes de duvidosa relevância.

prueba de nado forzado
A UACh terminou com o teste de natação forçada, celebrado pela PETA e justificado pela falta de evidência científica.

Alternativas mais precisas e éticas

A transição para métodos modernos apoia-se em três pilares:

  • Falta de precisão translacional: as diferenças biológicas entre espécies fazem com que muitos fármacos falhem ao passar de animais para humanos.
  • Preocupações éticas: o sofrimento animal e a eutanásia geram rejeição social e regulamentações internacionais.
  • Disponibilidade de métodos alternativos: culturas celulares, organoides, bioimpressão 3D, tecidos em chip e simulações computacionais baseadas em IA.

O princípio das 3 Rs

A comunidade científica promove o princípio das 3 Rs:

  • Substituição: usar modelos computacionais ou culturas celulares em vez de animais vivos.
  • Redução: empregar o número mínimo de animais necessário.
  • Refinamento: minimizar dor e desconforto melhorando condições de vida e procedimentos.

Mesmo a FDA nos Estados Unidos já não exige obrigatoriamente testes em animais antes de passar para ensaios clínicos em humanos, refletindo uma mudança de paradigma em direção à ciência sem crueldade.

A proibição do teste de natação forçada na UACh marca um marco ético e científico na América Latina. Este passo não só protege os animais do sofrimento desnecessário, mas também impulsiona a transição para métodos mais confiáveis e alinhados com a biologia humana.

A decisão reforça a ideia de que a pesquisa do futuro deve ser inovadora, ética e livre de crueldade.

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