A cientista venezuelana Emperatriz Gamero, pesquisadora do Smithsonian Conservation Biology Institute, lidera um dos estudos mais relevantes para a proteção do macaco de Margarita (Sapajus apella margaritae), um primata endêmico da Ilha de Margarita, classificado em Perigo Crítico de extinção.
Formada na Universidade Central da Venezuela, Gamero atua como fellow do Center for Conservation Genomics, onde desenvolve pesquisa genética aplicada a espécies ameaçadas. Seu trabalho se concentra na análise da diversidade genética dessa população pequena e isolada, cuja viabilidade a longo prazo está seriamente comprometida.
Descobertas científicas chave
O estudo, baseado em filogenética molecular, fornece evidências sólidas sobre a origem ancestral do macaco de Margarita:
- Descarta que se trate de uma introdução recente.
- Confirma que chegou à ilha através de um antigo evento de colonização.
- Revela uma baixa variabilidade genética, típica de populações insulares isoladas, o que reforça a urgência de estratégias de conservação baseadas em ciência.
Gamero adverte: “Entender a origem e a diversidade genética da espécie é chave para tomar decisões corretas. Quando as populações são pequenas, qualquer erro de manejo pode acelerar seu desaparecimento”.
Ameaças atuais
As descobertas têm implicações diretas para o manejo da espécie, que enfrenta:
- Tráfico ilegal de animais de estimação.
- Introdução de outros capuchinhos continentais, que provoca hibridização.
- Redução do tamanho populacional, com risco de endogamia e perda de diversidade genética.

O Projeto Capuchinho de Margarita
Desde 2017, Gamero faz parte do Projeto Capuchinho de Margarita, uma iniciativa multidisciplinar que reúne cientistas, autoridades ambientais e comunidades locais. Suas contribuições permitiram:
- Estabelecer uma base genética robusta para a conservação a longo prazo.
- Desenvolver ferramentas diagnósticas para identificar indivíduos geneticamente puros e detectar híbridos.
- Impulsionar educação ambiental e trabalho comunitário na ilha para reduzir o tráfico ilegal de fauna.
Importância ecológica do macaco de Margarita
O Sapajus apella margaritae desempenha um papel fundamental no equilíbrio ecológico da ilha:
- Dispersor de sementes: contribui para a regeneração de florestas e selvas.
- Regulador de insetos: mantém a saúde dos ecossistemas.
- Indicador ambiental: sua presença reflete a integridade das florestas.
- Inteligência e adaptação: é um dos macacos mais inteligentes do Novo Mundo, capaz de usar ferramentas para obter alimento.
Conservação e desafios
O macaco de Margarita está na Lista Vermelha da UICN e na lista nacional da Venezuela como espécie em perigo crítico desde 1996. Suas principais ameaças são a fragmentação do habitat, a caça ilegal e o tráfico de fauna. Projetos como o Projeto Capuchinho de Margarita buscam protegê-lo em áreas como o Parque Nacional Cerro El Copey, onde atua como peça chave para a biodiversidade local.
O trabalho de Emperatriz Gamero demonstra como a ciência aplicada pode fazer a diferença na conservação de espécies únicas. O caso do macaco de Margarita é um exemplo de que a perda de biodiversidade em regiões megadiversas como a América Latina tem implicações globais. Protegê-lo não é apenas um desafio local, mas uma responsabilidade compartilhada para garantir a saúde dos ecossistemas e o patrimônio natural da humanidade.



