Neste momento, a China, líder na transição energética, poderia ser dito que está a caminho de se tornar um estado eletro. A indústria de energia limpa no país asiático representa atualmente 10% do PIB, superando o setor imobiliário.
O progresso não só reduziu as emissões, mas também contribuiu para a redução dos custos globais de eletrificação, marcando uma mudança estrutural na economia mundial.
China, líder na transição energética e a caminho de se tornar o primeiro estado eletro do mundo
Em abril de 2025, o país instalou mais capacidade solar em um único mês do que a que Austrália conseguiu em toda a sua história.
Este marco reflete a magnitude do compromisso chinês com um modelo energético baseado em energias renováveis, mas a transformação vai além da luta contra as mudanças climáticas.
Responde a objetivos estratégicos como a independência energética, a melhoria da qualidade do ar, a redução da dependência do petróleo e a modernização industrial.
China, líder na transição energética. (@actualidadRT).
Uma transformação industrial planejada
A grave poluição associada à industrialização dos anos 90 e 2000 obrigou a uma mudança de rumo. Com o plano Made in China 2025, o país impulsionou indústrias tecnologicamente avançadas, priorizando energias renováveis, mobilidade elétrica e armazenamento energético.
Em vez de apenas conceder subsídios, o governo projetou clusters industriais integrados, onde fábricas de baterias convivem com plantas de veículos elétricos ou módulos solares. Este modelo reduziu custos logísticos, aumentou a eficiência e acelerou a inovação.
Hoje, a China possui um sistema de produção autossuficiente, que abrange desde a extração de materiais críticos como o lítio e as terras raras até a fabricação de tecnologia de ponta. Assim, consolidou-se como o líder global das cadeias de suprimentos de tecnologias limpas.
Renováveis e carvão: uma transição em evolução
A implementação de energias renováveis na China avança a um ritmo recorde: apenas em abril de 2025, acrescentou 45,2 GW de energia solar. No entanto, o país também continua a construir centrais de carvão para garantir o fornecimento de energia.
Embora essa coexistência tenha gerado críticas, os analistas a consideram uma fase de transição. Segundo o think tank Carbon Brief, as emissões chinesas caíram 1,6% no primeiro trimestre de 2025, marcando um ponto de inflexão.
Com a incorporação maciça de capacidade solar e eólica, prevê-se uma queda estrutural na participação do carvão na matriz energética.
Além disso, as economias de escala chinesas permitiram que os custos globais da energia solar e eólica diminuam, beneficiando países com menos recursos para acelerar sua própria transição energética.
Painéis solares na China. Foto: X.
Energia nuclear: outro pilar silencioso da transição
Embora as renováveis concentrem a maior parte da atenção, a energia nuclear também é fundamental no plano chinês de descarbonização.
Em 2024, a China tinha 57 GW de capacidade nuclear instalada e já anunciou o objetivo de alcançar os 200 GW até 2040. Este desenvolvimento reforça a estratégia do país de diversificar fontes e garantir um fornecimento estável enquanto progressivamente reduz a dependência do carvão.



