O parque eólico La Flecha, localizado a 45 quilômetros de Puerto Madryn, completou a instalação dos 56 aerogeradores previstos para o projeto impulsionado por Aluar em Chubut. Com uma potência instalada de 336 MW, o complexo se consolida como o maior parque eólico construído em uma única etapa na Argentina e avança para a fase de testes e comissionamento prévio à sua operação comercial prevista para outubro.
A conclusão da montagem marca o encerramento de uma das etapas mais exigentes da obra e abre o período de verificação técnica dos equipamentos, sistemas elétricos e conexões necessárias para começar a gerar energia renovável em escala industrial.

Uma obra de grande escala na Patagônia
O projeto começou a estruturar-se no final de 2023, quando Aluar acordou com Goldwind o fornecimento de 52 aerogeradores modelo GW165 de 6 MW de potência unitária. Posteriormente, foram incorporados quatro equipamentos adicionais, o que elevou a capacidade total de 312 MW para os 336 MW atuais.
A construção implicou uma complexa logística internacional e terrestre. Seis navios transportaram componentes da China e, depois, os equipamentos percorreram mais de 1.400 quilômetros até o local de instalação em Chubut.
Entre as peças mobilizadas houve componentes de até 127.000 quilogramas e pás de aproximadamente 82 metros de comprimento. A montagem do último aerogerador completou a instalação prevista antes dos prazos originalmente estimados pelas empresas participantes.
Menos gás fóssil e menos emissões
De acordo com as estimativas divulgadas pelas empresas envolvidas, a geração do parque permitirá substituir cerca de 1,3 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia, um volume equivalente ao consumo de cerca de 260.000 lares.
Além disso, o complexo evitaria a emissão de aproximadamente 580.000 toneladas de dióxido de carbono por ano, o que o torna uma das incorporações renováveis mais relevantes dos últimos anos no país.
As empresas destacaram também o trabalho realizado em matéria de segurança e gestão ambiental durante a construção, incluindo programas de capacitação, prevenção de incidentes e monitoramento de desvios operacionais.

O que muda na matriz energética argentina
A entrada em operação de La Flecha amplia a participação de geração eólica no sistema elétrico nacional e reforça a diversificação da matriz energética argentina.
Além disso, o projeto aporta nova capacidade renovável em uma região com excelentes recursos de vento, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis para cobrir parte da demanda elétrica e contribuindo para os objetivos de descarbonização do setor energético.
Em termos industriais, a energia gerada também tem um valor estratégico para Aluar, já que amplia as fontes renováveis associadas à sua operação energética e melhora a integração de abastecimento elétrico de longo prazo.
Como avança a energia solar na Argentina
Embora La Flecha seja um projeto eólico, o crescimento renovável argentino também inclui uma expansão sustentada da energia solar fotovoltaica. Nos últimos anos, foram incorporados parques solares de grande escala em províncias como San Juan, Jujuy, Catamarca, La Rioja, Mendoza e San Luis, aproveitando algumas das melhores condições de irradiação do continente.
Além dos grandes parques, cresce a geração distribuída sob o regime nacional que permite a usuários residenciais, comerciais e industriais injetar excedentes na rede elétrica mediante painéis solares instalados em telhados ou terrenos próprios.
A combinação de recursos eólicos patagônicos e solares do NOA e Cuyo está configurando uma matriz renovável mais diversificada, com maior resiliência frente a variações climáticas e menor intensidade de emissões por unidade de energia produzida.
Com os 56 aerogeradores já instalados, La Flecha entra agora na etapa decisiva de testes operacionais. Se os cronogramas técnicos forem cumpridos, o complexo começará a gerar energia comercial no último trimestre do ano, consolidando Chubut como um dos principais polos renováveis do país.



