Nas favelas do Rio de Janeiro, os telhados planos — conhecidos como lajes — são espaços multifuncionais: são usados para estender roupas, soltar pipas, armazenar água ou captar energia solar.
Na comunidade de Babilônia, em frente à praia de Copacabana, esses telhados geram eletricidade solar graças à iniciativa da Revolusolar, uma ONG que impulsiona a primeira cooperativa energética em uma favela brasileira.
De hostels a lares: a origem da revolução solar
A história começou em 2015, quando os proprietários de dois hostels locais decidiram instalar painéis solares para enfrentar as altas tarifas elétricas. A empresa distribuidora Light costuma denunciar conexões ilegais nas favelas, mas os vizinhos que pagam enfrentam faturas inflacionadas, baseadas em estimativas arbitrárias.
Graças a uma linha de crédito especial para comunidades vulneráveis, os empreendedores tiveram acesso ao financiamento necessário. Após superarem obstáculos técnicos e burocráticos, conseguiram reduzir seus custos energéticos em menos da metade.
Rompindo preconceitos: a energia solar como opção real na favela
Inicialmente, os painéis solares eram vistos como um capricho elitista, distante da realidade da favela. Mas a instalação no teto da associação de moradores marcou um ponto de virada. A comunidade começou a entender seus benefícios econômicos, para além do discurso ambiental.
Atualmente, a expansão da energia fotovoltaica em Babilônia responde a uma lógica de economia, mas também a um processo de apropriação tecnológica que fortalece o tecido social.
Formação técnica e emprego local: energia que gera oportunidades
A Revolusolar não apenas instalou painéis: também formou gratuitamente mais de 20 jovens como eletricistas e instaladores solares, criando profissões sustentáveis dentro da favela.
Inicialmente, o projeto contou com voluntários, mas rapidamente evoluiu para um modelo de capacitação técnica e emprego local.
Cooperativas solares: rumo à autossuficiência energética em territórios populares
A criação de uma cooperativa energética marca o próximo passo: escalar o modelo para que Babilônia se torne a primeira favela autossuficiente do Brasil. Este enfoque combina:
- Energia solar distribuída
- Organização comunitária
- Redução de custos e dependência energética
- Formação técnica e geração de emprego



