A Argentina apresentou à União Europeia (UE) seu pedido para ser considerado um país de baixo risco em desmatamento.
O objetivo deste pedido é facilitar a certificação da carne bovina nacional no mercado europeu.
A gestão foi realizada durante a feira Anuga 2025 em Colônia, Alemanha, onde participou o Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (IPCVA) e empresários nacionais do setor.
O interesse surge em razão do Regulamento 1115 da UE, que exigia que os alimentos importados para o Velho Mundo estivessem certificados como provenientes de áreas livres de desmatamento.
Embora sua entrada em vigor tenha sido prorrogada, a Argentina busca se antecipar a esses requisitos com um novo sistema de certificação.
Este prova que a carne nacional é altamente livre de desmatamento.

Martín Fernández, chefe de gabinete da Secretaria de Agricultura, lidera o grupo que busca posicionar a carne nacional junto com Agustín Tejeda e outros representantes oficiais.
“Não basta ter a melhor carne do mundo: é necessário posicioná-la e facilitar o acesso aos mercados internacionais”, afirmou Fernández sobre a estratégia comercial do país.
O sistema de certificação argentino que prova que a carne é “livre de desmatamento”
No âmbito da Anuga 2025, o IPCVA demonstrou aos importadores europeus de carne argentina que o país possui um sistema completo para cumprir com o Regulamento 1115 da UE sobre alimentos livres de desmatamento.
Trata-se da plataforma VISEC, o sistema que permite certificar a rastreabilidade da carne argentina, um desenvolvimento do IPCVA junto com o CONICET.
Este sistema contempla aspectos de degradação florestal, desmatamento e legalidade sob os critérios do regulamento europeu.
Adrián Bifaretti, do IPCVA, explicou aos importadores alemães a análise de risco realizada sobre a pecuária argentina.
“Nosso país tem 87% de risco nulo, este é um trabalho que foi feito com o CONICET”, afirmou o funcionário durante a apresentação.
O trabalho apresentado inclui pesquisas realizadas com a metodologia do Programa de Pegadas Ambientais da União Europeia.

Segundo Bifaretti, esses estudos “demonstram com evidência científica a sustentabilidade da nossa carne bovina“.
Por sua vez, Gerardo Leotta, do Consórcio ABC, destacou que o sistema VISEC fornece “todas as informações para que os importadores possam cumprir com a devida diligência”.
Durante a feira, além disso, os importadores degustaram carne do primeiro envio certificado como livre de desmatamento, do frigorífico Arrebeef.
Continuam as apresentações da carne argentina perante a UE
A exposição sobre o sistema argentino de certificação será repetida nos próximos dias perante câmaras de importadores de Holanda, Espanha, Itália, Bélgica e outros países da UE.
A apresentação surpreendeu os compradores alemães por seu rigor científico.
Por isso, a feira se desenvolve em um clima de otimismo para os produtores pecuários argentinos, com as empresas argentinas realizando negócios a bons preços.
O pavilhão também conta com um restaurante onde os exportadores recebem clientes para degustar cortes argentinos na grelha, sempre certificados como livres de desmatamento.



