Inovação sustentável e viral: estudantes de Tilcara criam um surpreendente “bioplástico comestível”

Uma experiência prática realizada na Tecnologia Universitária em Transformação da Produção Agropecuária, ministrada pela Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Nacional de Jujuy (Unju) em Tilcara, tornou-se viral nas redes sociais ao mostrar a criação de um “bioplástico comestível” desenvolvido por estudantes junto com seus professores.

O produto, elaborado com ingredientes simples e amigáveis ao meio ambiente, despertou grande interesse e debate, alcançando mais de 101 mil visualizações em poucas horas nas contas institucionais da Faculdade.

Como nasceu a ideia

A proposta surgiu na cátedra de Embalagem, Armazenamento e Distribuição, sob a responsabilidade da bromatóloga Carolina Singh, onde os estudantes trabalham em embalagens sustentáveis. A docente Belén Cáceres, responsável pelas práticas, relatou ao portal El Tribuno que a iniciativa nasceu da curiosidade:

“Vimos um vídeo sobre bioplásticos comestíveis e pensamos: por que não testá-lo nós mesmos? Como a cátedra aborda temas de embalagem e os alunos elaboram produtos, decidimos experimentar com materiais que não danifiquem o planeta”.

Ingredientes simples para criar o “bioplástico comestível”

Com gelatina sem sabor, glicerina comestível e água, os estudantes conseguiram uma película flexível e degradável, capaz de envolver alimentos. A experiência foi enriquecedora: os alunos propuseram variantes e até pensaram em incorporar pigmentos e sabores naturais em futuros testes.

Durante uma jornada de divulgação do curso em Tilcara, a demonstração gerou grande repercussão nas redes sociais. Os comentários variaram entre surpresa, curiosidade pelo sabor e perguntas sobre seu uso real, o que motivou a equipe a continuar investigando.

bioplástico comestível
Assim é o bioplástico comestível criado em Jujuy.

Um processo acelerado pelo clima da Quebrada

Embora o projeto esteja em fase inicial, os resultados foram encorajadores. Cáceres explicou que o clima seco da Quebrada de Humahuaca acelerou a secagem do material:

“Em apenas 40 minutos já podíamos ver a textura que a película tomaria, quando normalmente o processo requer 24 horas”.

A docente destacou que ainda precisam realizar testes de degradação, resistência e conservação, mas o caminho é promissor.

Identidade regional e contribuição de produtores locais

A inovação não se limita ao técnico. Muitos estudantes são produtores locais e contribuem com conhecimentos sobre recursos naturais da região, como flores e pigmentos autóctones.

“Eles mesmos nos ensinam muito. Sabem quais plantas dão cor, quais produtos podem ser aproveitados, e isso nos inspira a pensar em uma película com identidade regional, elaborada com matérias-primas da região”, destacou Cáceres.

Comparação com plásticos industriais

Durante a mostra, os alunos compararam sua criação com o polietileno, o plástico mais comum em embalagens industriais, destacando o potencial ecológico da proposta.

A experiência também permitiu visibilizar o curso em Tilcara e mostrar que desde Jujuy podem ser geradas inovações sustentáveis.

Educação prática e sustentável

A Tecnologia Universitária em Transformação da Produção Agropecuária começou em 2021 com o objetivo de dar valor agregado à produção rural e formar técnicos capazes de intervir em processos sustentáveis.

Sua modalidade combina teoria e prática, alternando semanas virtuais e presenciais, o que facilita a participação de produtores e empreendedores rurais. Atualmente também é ministrada em Abra Pampa, com um formato 75% virtual e 25% presencial, ampliando o acesso a estudantes de outras localidades.

O curso já conta com primeiros formados, alguns trabalhando junto a produtores locais para aplicar os conhecimentos adquiridos.

Próximos passos e convocatória aberta

O projeto continuará com novos testes para medir a degradação do material, sua resistência e a incorporação de ingredientes locais. Além disso, planejam aplicar o conhecimento a outros usos, como coberturas para solos ou biopelículas protetoras para alimentos frescos.

As pré-inscrições para o ciclo 2026 já estão abertas de maneira online até 6 de março. A inscrição presencial será realizada em duas etapas: de 3 de novembro a 16 de dezembro de 2025 e de 3 de fevereiro a 6 de março de 2026.

“Queremos que mais pessoas se animem a estudar, a inovar a partir do local. Este curso demonstra que desde Jujuy também se pode pesquisar, criar e transformar, com respeito pelo ambiente e orgulho por nossos recursos”, concluiu Cáceres.

Foto de capa: El Tribuno

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