No último domingo, a Divisão de Prevenção de Desastres de Tóquio divulgou uma simulação gerada com inteligência artificial que mostra os efeitos devastadores que uma erupção do monte Fuji teria sobre a capital japonesa.
O vídeo faz parte de uma estratégia de preparação da população para um evento que, embora não seja iminente, é considerado possível pelas autoridades.
Um cenário de caos em tempo real: cinzas, escuridão e colapso urbano
A simulação mostra como Tóquio ficaria coberta por cinzas vulcânicas em apenas duas horas.
O vídeo começa com uma mulher em uma rua movimentada que recebe um alerta em seu celular: o Fuji entrou em erupção.
A narração adverte que “o momento pode chegar sem aviso prévio”, enquanto imagens de colunas de fumaça e cinzas avançando em direção a Tóquio são exibidas, mergulhando a cidade em uma escuridão diurna.
O monte Fuji e o Anel de Fogo: uma ameaça latente
O Japão abriga 111 vulcões ativos e enfrenta 80% de probabilidade de um grande terremoto nos próximos 30 anos.
Localizado no Anel de Fogo do Pacífico, o Japão é um dos países com maior atividade sísmica e vulcânica do mundo.
O monte Fuji, que historicamente entrava em erupção a cada 30 anos, está inativo há 318 anos desde a erupção Hoei de 1707.
Em janeiro, as autoridades elevaram o nível de alerta após estimarem uma probabilidade de 80% de um terremoto severo na região da Fossa de Nankai nos próximos três décadas.
A erupção do monte Fuji foi criada com IA
Impacto estimado: milhões de metros cúbicos de cinzas e perdas bilionárias
A erupção poderia paralisar o transporte, colapsar edifícios e afetar o fornecimento de bens essenciais.
Segundo cálculos oficiais, uma erupção em grande escala do Fuji geraria 1,7 bilhão de metros cúbicos de cinzas vulcânicas, dos quais 490 milhões se acumulariam em infraestrutura urbana.
As perdas econômicas poderiam ultrapassar os 2,5 trilhões de ienes (aproximadamente 15.530 milhões de dólares), afetando:
- Edifícios de madeira com baixa capacidade de carga
- Transporte ferroviário
- Fornecimento elétrico
- Distribuição de alimentos e produtos essenciais
Reações divididas: entre a preocupação da população e as críticas ao enfoque governamental
A iniciativa gerou opiniões divergentes nas redes sociais. Enquanto alguns usuários manifestaram medo diante do possível caos logístico, outros questionaram o tom do vídeo, classificando-o como “alarmista” e promovendo uma “sensação de crise desnecessária”.
Preparação doméstica: recomendações oficiais e desafios práticos
A simulação inclui cenas de uma família preparando despensas com alimentos não perecíveis e kits de primeiros socorros. As autoridades recomendam aos moradores próximos ao Fuji manterem provisões essenciais por pelo menos 14 dias.
No entanto, alguns cidadãos apontam dificuldades logísticas, especialmente durante os verões japoneses, quando as altas temperaturas agravam os efeitos de um possível corte de energia.
Tecnologia, prevenção e cultura de risco: uma aposta pela resiliência urbana
A simulação busca gerar consciência coletiva diante de fenômenos naturais de alto impacto.
Embora o vídeo não pretenda prever um evento específico, busca incutir a cultura da preparação em uma sociedade que convive com riscos sísmicos e vulcânicos.
Neste sentido, a iniciativa se insere em uma tradição japonesa de planejamento diante de desastres, onde a tecnologia e a educação da população se combinam para reforçar a resiliência urbana.



