Um relatório conjunto da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do observatório europeu Copernicus revelou que a Europa está aquecendo duas vezes mais rápido que a média mundial. Em 2025, 95% do continente registrou temperaturas acima da média, com recordes de ondas de calor marinhas e superfície queimada por incêndios.
A situação é crítica: cerca de 70% dos cursos de água europeus tiveram fluxos abaixo da média, e a perda de neve e gelo atingiu níveis históricos.
Eventos extremos em 2025
- Onda de calor na Fenoescândia: três semanas com temperaturas próximas a 35°C na Noruega.
- Espanha: até 50 dias adicionais de estresse térmico com temperaturas “sentidas” superiores a 32°C.
- Geleiras: a Islândia registrou sua segunda maior perda anual de massa desde 2005.
- Neve: em março, a superfície nevada foi 31% inferior à média, equivalente à soma da França, Itália, Alemanha, Suíça e Áustria.
- Incêndios recordes: mais de um milhão de hectares queimados, uma superfície maior que Chipre.
- Oceanos: 86% das regiões oceânicas experimentaram pelo menos um dia de calor “forte”.
Consequências para água e biodiversidade
A seca e as altas temperaturas reduziram a umidade do solo a um dos níveis mais baixos desde 1992. No Mediterrâneo, as pradarias submarinas — chave para a biodiversidade e como barreiras naturais — sofreram graves impactos pelas ondas de calor marinhas.

Energia e transição verde
Entre as notícias positivas, as energias renováveis superaram pelo terceiro ano consecutivo os combustíveis fósseis na geração elétrica, alcançando 46,4% da produção. A energia solar marcou um recorde com 12,5% de contribuição.
A União Europeia lidera a ação climática com o Pacto Verde Europeu, que busca a neutralidade de emissões para 2050. Seus pilares incluem:
- Lei Europeia do Clima: transforma a neutralidade em obrigação jurídica.
- Objetivo 55 (Fit for 55): reduzir emissões em pelo menos 55% até 2030.
- Meta 2040: proposta de redução de 90% das emissões líquidas.
- Energia e segurança: dobrar a eficiência energética e triplicar as renováveis até 2030.
Desafios internos
A transição enfrenta tensões:
- Crise energética: abandonar combustíveis fósseis gera debates sobre a rapidez da eletrificação.
- Diferenças políticas: países como Polônia, Hungria, França e Itália mostram reservas, enquanto Alemanha e outros apoiam metas mais ambiciosas.
- Impacto cidadão: o custo de vida suaviza o apoio público a medidas imediatas.
A Europa encontra-se no epicentro da crise climática, com impactos visíveis em água, neve, biodiversidade e saúde pública. O relatório da OMM e Copernicus oferece dados claros para a tomada de decisões políticas urgentes.
O Pacto Verde Europeu se consolida como a estratégia econômica e ambiental mais importante do continente, mas seu sucesso dependerá da capacidade dos Estados membros de acelerar a transição sem deixar para trás seus cidadãos.



