A Galícia impulsiona o maior projeto de energia solar marinha do mundo.

A Galícia está na vanguarda da energia renovável com o desenvolvimento do que é considerado o maior projeto de energia solar marinha a nível global. O estaleiro San Enrique, sediado em Vigo, e a empresa de engenharia BlueNewables assinaram um acordo para construir e implementar um inovador protótipo de plataforma solar flutuante, denominada PV-bos, com uma capacidade de um megawatt (MW).

O investimento neste projeto de pesquisa e desenvolvimento ultrapassa os quatro milhões de euros e implicará a contratação de 60 trabalhadores. A plataforma PV-bos será instalada nas águas do Porto de Valência em 2026, onde será submetida a testes para validar sua eficiência e segurança. A estrutura consiste em um flutuador que suporta painéis solares e um local técnico com inversores e transformadores para injetar a energia gerada na rede elétrica do porto.

Segundo a BlueNewables, esta inovação permitirá gerar aproximadamente 1.500 megawatts-hora anuais, suficientes para abastecer 500 residências, e contribuirá para a redução de 620 toneladas de CO2 por ano, evitando o uso de combustíveis fósseis. Além disso, a tecnologia bifacial dos painéis solares aproveitará a luz refletida na água para aumentar a eficiência, e o efeito refrigerante do mar ajudará a mitigar a perda de rendimento devido às altas temperaturas.

A solução PV-bos foi selecionada no programa hispano-coreano KSSP 2024 (Korea Spain Strategic Programme), apoiado pelo Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (CDTI) da Espanha e pelo Korea Institute for Advancement of Technology (KIAT). Esse apoio internacional visa impulsionar a industrialização e comercialização do projeto, que envolve empresas de ambos os países especializadas em engenharia, manufatura e tecnologias avançadas.

Paneles solares sobre el agua en China. Foto: X/ @actualidadRT.
Energia solar marinha. Foto: X/ @actualidadRT.

Uma grande aposta nas energias renováveis

A San Enrique, pertencente ao Grupo Meridional, aposta na diversificação de suas atividades no setor de energias renováveis, enquanto a BlueNewables, sediada em Tenerife e com presença em várias cidades europeias, desenvolve soluções navais para a energia eólica e fotovoltaica marítima. A implementação do PV-bos em Valência será um passo-chave para posicionar essa tecnologia no mercado global e fortalecer a indústria naval galega no setor da transição energética.

Este projeto se soma a outras iniciativas sustentáveis no Porto de Valência, que já gera 18% de sua energia a partir de fontes renováveis. A aposta na energia solar flutuante representa um avanço estratégico rumo à descarbonização e ao aproveitamento eficiente do espaço marítimo para a geração de energia limpa.

China e o risco de perder seus mares: desta vez foi longe demais?

O conceito de energia solar flutuante não é novidade para a China. Essa metodologia consiste em instalar painéis solares sobre corpos d’água como reservatórios, represas e mares. Essa tecnologia permite aproveitar espaços não utilizados em terra e reduzir a evaporação da água em certas áreas. De acordo com previsões da Wood Mackenzie, o mercado global de energia solar flutuante atingirá 77 GW de capacidade instalada em 2033, com a China liderando o setor.

A China, que já conta com mais de 700 GW de capacidade solar, está levando essa tecnologia a novos limites. Nesse sentido, a empresa estatal CHN Energy concluiu a instalação de um projeto marinho de energia solar de 1 GW na província de Shandong, enquanto o Grupo Huaneng construiu plataformas capazes de suportar as duras condições do mar aberto.

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