Um estudo publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que o calor urbano extremo em cidades tropicais e subtropicais superará amplamente as projeções dos modelos climáticos convencionais.
A pesquisa analisou 104 cidades com população entre 300.000 e um milhão de habitantes. Além disso, determinou que 81% delas experimentarão um aquecimento acelerado em relação às suas zonas rurais circundantes.
O fenômeno de ilha de calor urbana descreve o aumento térmico que experimentam as cidades em comparação com suas áreas rurais adjacentes.
Segundo a análise científica, 16% das cidades estudadas poderiam registrar aumentos de temperatura superficial entre 50% e 112% maiores do que o estimado para seus arredores.
Índia e China concentram as cidades mais afetadas por este fenômeno.
Em particular, cidades como Jalandhar, Fuyang e Kirkuk apresentam aumentos adicionais de temperatura urbana entre 0,7 e 0,8 °C. No entanto, Asyut, Patiala e Shangqui mostram aumentos entre 1,5 e 2 °C.

Os modelos climáticos subestimam o calor urbano extremo
A pesquisa utilizou técnicas de aprendizado de máquina para obter projeções mais precisas do que os modelos climáticos globais de baixa resolução.
Essa abordagem permitiu identificar regiões onde o calor urbano extremo supera claramente as tendências rurais. Esta situação agrava a vulnerabilidade de milhões de pessoas diante de ondas de calor.
Sarah Berk, autora principal do estudo, destacou a importância de analisar cidades médias: “Enquanto os modelos globais são essenciais para projetar as mudanças de temperatura futuras, têm limitações para captar as tendências em cidades de menor tamanho”.
A equipe estabeleceu critérios rigorosos para selecionar as cidades analisadas. Por isso, excluíram cidades costeiras ou montanhosas para controlar fatores não climáticos, e escolheram locais a menos de 40° de latitude e a mais de 100 km do mar.
Variáveis que determinam o aquecimento urbano
O modelo de aprendizado estatístico utilizou variáveis satelitais como a diferença de vegetação entre cidade e campo. Além disso, considerou a umidade do ar, a quantidade de chuvas e o albedo do solo.
Essas permitem prever quanto aumenta a temperatura da superfície terrestre (LST) em áreas urbanas.
A LST influencia diretamente na temperatura do ar próximo ao solo. Por isso, foi utilizada como referência para comparar o calor urbano extremo com as condições rurais sob um cenário de aquecimento global de 2 °C em relação à era pré-industrial.

As consequências para a saúde pública do calor urbano extremo
O estudo alertou que o calor urbano extremo terá repercussões graves para a saúde, especialmente em regiões que já suportam altas temperaturas.
Os riscos se amplificam durante os meses mais quentes, quando a ilha de calor é mais pronunciada em cidades do nordeste da China e Índia.
Manoj Joshi, coautor do trabalho, afirmou: “O estresse térmico urbano sob o mudança climática é uma preocupação crescente, já que muitas cidades nos trópicos e subtrópicos podem ser mais quentes que seus arredores rurais, aumentando assim sua vulnerabilidade ao aumento das temperaturas”.
A pesquisa destacou que os modelos convencionais tendem a subestimar o aumento real das temperaturas urbanas.
A equipe enfatizou a necessidade de projetar estratégias de mitigação e adaptação. Apontaram que a demanda por refrigeração e energia poderia superar a capacidade de infraestrutura existente.
Os autores apontaram que a expansão urbana não foi incluída na análise, de modo que o aquecimento adicional poderia ser ainda maior.
Destacaram a importância de continuar estudando cidades médias, onde os riscos climáticos tendem a ser subestimados.



