O avanço da desflorestação no Chaco não é, infelizmente, uma novidade para organizações ambientalistas e enormes setores da sociedade civil.
É que, há algum tempo, eles alertam sobre as consequências que os desmatamentos ilegais trazem para a biodiversidade e as espécies nativas. Agora, a Greenpeace emitiu um aviso sobre a derrubada indiscriminada no Chaco, Santiago del Estero, Salta e Formosa.
Afirmam que está levando o emblemático quebracho colorado, declarado “Árvore Florestal Nacional”, a uma situação de extrema vulnerabilidade.
O quebracho colorado à beira da extinção
O quebracho colorado, uma árvore de crescimento lento e madeira extraordinariamente dura, é um símbolo do Grande Chaco Americano. Apesar de seu valor, a histórica exploração para a produção de tanino e dormentes ferroviários o deixou em uma situação crítica.
A situação extrema do quebracho colorado. (Foto: Wikipedia).
Desde 1998, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) o classificou como uma espécie em perigo.
Segundo Noemí Cruz, coordenadora da campanha de Florestas da Greenpeace, a contínua desflorestação para expandir a fronteira agropecuária se deve à “clara cumplicidade dos governos provinciais”.
Números alarmantes e chamado à ação
Entre 1998 e 2024, a Argentina perdeu 7 milhões de hectares de florestas nativas, segundo os números da ONG. Trata-se de uma superfície semelhante à da Escócia. Dessa cifra, 75% da destruição se concentra nas províncias mencionadas, onde predominam os desmatamentos ilegais.
As multas atuais não são eficazes para deter esse “ecocídio” que, segundo a Greenpeace, provoca a extinção de espécies, a mudança climática, inundações, secas, desertificação e o despejo de comunidades indígenas e camponesas.
Frente a essa situação, a Greenpeace lançou uma campanha para exigir que os desmatamentos ilegais e incêndios florestais sejam considerados crimes penais, buscando acabar com a impunidade da destruição florestal.
Desflorestação na Argentina: a província que lidera o ranking
De acordo com o grupo ambientalista, em 2024 foram perdidas quase 150.000 hectares de florestas no norte do país, 10% a mais que no ano anterior. Santiago del Estero foi a província mais afetada, com 54.123 hectares desmatados, seguida por Chaco, Formosa e Salta.
Os incêndios florestais também contribuíram para a destruição, com 29.763 hectares queimados em 2024. No total, somando desmatamentos e incêndios, Santiago del Estero perdeu 55.913 hectares de florestas.
O que é a desflorestação e quais são suas consequências?
A desflorestação é o corte de árvores ou a queima de florestas para dar espaço a outras atividades. É um grave problema ambiental que tem consequências irreversíveis para o planeta.
As consequências da desflorestação.
As consequências da desflorestação são:
- Aquecimento global: as florestas absorvem o CO2 da atmosfera, mas ao cortá-las, esse gás permanece no ar e produz o efeito estufa.
- Perda de biodiversidade: essa prática destrói os habitats de milhares de espécies de plantas e animais.
- Instabilidade econômica e ambiental: as florestas são fonte de matérias-primas, combustível e medicamentos.
- Alteração do ciclo da água: desflorestar as florestas deixa os solos desprotegidos da erosão, sem mencionar que esses espaços verdes nutrem as fontes de água doce.



