Atualmente, milhares de habitantes de Entre Ríos consomem água contaminada com arsênico, agrotóxicos e efluentes cloacais sem tratamento.
Assim indica uma análise recente do ITBA, que detectou dezenas de localidades de Entre Ríos com água potável contaminada.
Diante disso, a gestão de Rogelio Frigerio evita reconhecer a emergência hídrica que evidenciam estudos científicos, decisões judiciais e denúncias de moradores.
Vale destacar que os cientistas alertam sobre o grau de contaminação nos cursos de água de Entre Ríos desde 2008.
Os preocupantes dados da água contaminada em Entre Ríos
O último levantamento do Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA) detectou água com altas concentrações de arsênico em Gualeguaychú, Gualeguay, Urdinarrain e Cuatro Bocas.
No Departamento Paraná, localidades como María Grande, Colonia Avigdor e Hasenkamp registraram níveis entre 0,05 e 0,08 miligramas por litro.
Esses valores estão próximos ou superam o limite provincial de 0,05 mg/L. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 0,01 mg/L, cinco vezes menos.
“Preocupa a qualidade da água, sobretudo por arsênico e pesticidas”, advertiu Lucía Ibarra Bouzada, presidente do Fórum Ecologista de Paraná.
E acrescentou que, em Entre Ríos, “os níveis estão no limite e, em alguns casos, excedem o permitido pela província, que tem uma escala desatualizada“.

Também há alerta pelo glifosato, com os níveis mais altos da região
Outra análise que preocupa é a investigação do CONICET apresentada por Rafael Lajmanovich, que detectou no arroio Las Conchas uma concentração de 5.002 µg/kg de glifosato.
É o nível mais alto registrado até o momento na América do Sul.
O estudo avaliou quatro arroios da província: Las Conchas, Espinillo, Crespo e Las Tunas, todos são afluentes diretos do rio Paraná.
Em ensaios com girinos, 100% dos anfíbios expostos morreram em 24 horas.
Decisão judicial histórica em Crespo
Diante dessa situação, a Justiça de Entre Ríos ordenou ao Município de Crespo suspender imediatamente a irrigação de ruas com água contaminada.
O juiz Julián Carlos Vergara acolheu um mandado de segurança ambiental apresentado por onze moradores.
É que, dia após dia, a cidade regava as ruas de terra com água de arroios contaminada com efluentes cloacais sem tratamento.
A decisão ordenou realizar uma perícia completa do sistema cloacal em 30 dias, publicar os resultados e implementar monitoramento sistemático.
Durante a audiência judicial, representantes municipais e provinciais reconheceram a existência do problema. No entanto, condicionaram os avanços a “limitações orçamentárias locais” e “necessidade de assistência financeira externa”.

Dez anos de água contaminada sem solução
Outro caso é o do povoado General Belgrano, onde a Cooperativa de Provisão de Água Potável tem denúncias por contaminação desde 2015.
É que, por uma década, a entidade despejou efluentes cloacais sem tratamento no rio Gualeguaychú e no rio Uruguai.
Atualmente, a Unidade de Informação Financeira foi aceita como parte interessada no caso e a investigação indaga sobre a provocação intencional do despejo de efluentes sem tratamento.
No entanto, o caso é lento, já que tramita no Tribunal Federal de Concepción del Uruguay desde 2017.
Os graves riscos para a saúde
O consumo de água contaminada gera consequências severas para a saúde:
- Doenças gastrointestinais, infecções intestinais agudas, hepatite e cólera por bactérias e parasitas
- Hidroarsenicismo Crônico Regional Endêmico (HACRE), lesões na pele e câncer após exposição prolongada ao arsênico
- Alterações neurológicas, endócrinas e reprodutivas por agrotóxicos
O Orçamento Nacional 2026 destina apenas 2.000 milhões de pesos para construção de água potável em Concordia. Enquanto isso, dezenas de pequenas localidades ficam fora de qualquer plano de investimento.
O Orçamento Provincial 2026 prevê investimento superior a 429.500 milhões de pesos para infraestrutura.
No entanto, o coordenador do Ministério de Planejamento, Hernán Jacob, informou que “60% dos recursos serão destinados a obras viárias“.
Assim, água potável e saneamento cloacal não figuram como prioridade nas políticas públicas provinciais.



