Argentina e Chile querem criar uma Área Marinha Protegida para proteger o krill, mas China e Rússia a bloqueiam

Argentina e Chile relançam um importante pedido de cuidado ambiental perante a comunidade internacional: criar uma Área Marinha Protegida de 670.000 km2 na Antártida.

O objetivo é salvar o krill, a pequena espécie marinha que funciona como alimento básico para muitos animais marinhos, da pesca intensiva.

Este pequeno crustáceo é o alimento essencial de focas, baleias e pinguins, cuja sobrevivência está em risco pela exploração comercial desmedida.

Como é a proposta para criar uma Área Marinha Protegida entre Argentina e Chile

A proposta binacional de Área Marinha Protegida (AMP) surgiu do trabalho conjunto entre o Instituto Antártico Argentino e seu homólogo chileno.

Desde 2018, ambos os países apresentam esta iniciativa em cada encontro anual da Convenção para a Conservação dos Recursos Marinhos Antárticos (CCRVMA), sem lograr consenso.

Nesta oportunidade, Fausto López Crozet, diretor nacional de Política Externa Antártica e enviado da Chancelaria argentina, lidera a delegação do país.

López Crozet espera que “o pedido binacional avance de uma vez para a recomendação em firme dos países membros“.

O plano científico estabelece zonas de não pesca e outras áreas onde se permite a extração de krill sob quotas estritas.

A região proposta para a Área Marinha Protegida abrange a península Antártica Ocidental e o sul do Arco de Scotia.

Krill. Foto: Wikipedia.
Krill. Foto: Wikipedia.

O krill: elo chave do ecossistema antártico

A diminuição drástica do krill por efeito da pesca intensiva põe em risco a sobrevivência das espécies que dependem do pequeno crustáceo.

Mamíferos como focas e baleias, junto com aves como os pinguins, se alimentam deste organismo.

Segundo o site oficial da CCRVMA, o propósito principal do organismo é “preservar a fauna e a flora marinha antártica frente à exploração comercial, em particular do krill, assegurando que toda a pesca se realize de maneira sustentável e responsável“.

A indústria pesqueira da Noruega, China, Coreia do Sul e Japão extrai tonelagens exponenciais de krill a cada ano em águas antárticas, por isso a importância de criar a Área Marinha Protegida.

China e Rússia bloqueiam a iniciativa e Argentina “contra-ataca”

Cada tentativa de criar a AMP tem sido bloqueada pela República Popular da China e a Federação Russa, dois dos 26 países membros da CCRVMA.

A aprovação está sujeita ao consenso de todos os integrantes da Convenção.

As sessões da CCRVMA refletem rivalidades geopolíticas e o interesse comercial das potências pesqueiras.

Para piorar, a guerra entre Ucrânia e Rússia congela decisões conforme quem apoia cada iniciativa.

Frente às ameaças, a Secretaria de Malvinas, Antártida, Política Oceânica e Atlântico Sul, a cargo de Paola Di Chiaro, lançou um plano de capacitação para formar inspetores de pesca antártica.

Em setembro passado, López Crozet ministrou um curso a pessoal da Armada sobre procedimentos de inspeção regulados pela CCRVMA.

Participaram membros da chefia de Interesses Marítimos, a Divisão Patrulhamento Marítimo, a Frota do Mar, a Divisão de Corvetas, o Comando Conjunto Antártico e pessoal destinado em bases antárticas.

No início de 2025, a Argentina realizou pela primeira vez um voo de vigilância e inspeção aérea da frota pesqueira em águas antárticas.

A missão foi cumprida a bordo de um Orion P-3C matrícula 6-P-57 de recente aquisição à Noruega.

O monitoramento da frota pesqueira antártica permite observar zonas marítimas ao norte do continente, onde se localizam as Ilhas Geórgias e Sandwich do Sul, territórios em disputa com o Reino Unido.

Nesta vasta área oceânica, habitat da merluza negra, a Grã-Bretanha concede licenças de pesca sem o consenso dos membros da CCRVMA.

A CCRVMA foi estabelecida em 1982 como parte do Sistema do Tratado Antártico.

A Argentina participa a cada ano na formulação e revisão de medidas de conservação durante estas reuniões internacionais.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Uma rede de monitoramento transforma a proteção ambiental em Galápagos com a criação de uma “ilha inteligente”

A ilha Floreana, localizada no arquipélago de Galápagos, avança...

A Grande Muralha Verde: 11 países africanos lutam contra a desertificação

Durante quase vinte anos, África tem estado comprometida com...

Mulheres no Marrocos transformam neblina em água potável para 1000 pessoas

No sudoeste de Marrocos, um projeto inovador resolve a...

Fraude do ouro ilegal na Amazônia: representa mais de $3,3 bilhões e representa um risco ambiental

O comércio ilegal de ouro na Amazônia está gerando...