Brasil: indígenas reivindicam contra o avanço da destruição florestal na região amazônica de Ituna/Itatá.

No norte do estado do Pará, Brasil, existe uma região amazônica de tamanho comparável à área metropolitana de São Paulo. Trata-se do território Ituna/Itatá, uma terra indígena protegida provisoriamente, onde recentes descobertas confirmam a presença de povos não contatados.

Os vestígios materiais incluem uma carapaça de tartaruga e uma vasilha de cerâmica, encontrados há três anos. Esses elementos se somam a uma longa cadeia de evidências — desde avistamentos nos anos setenta até registros arqueológicos desde 2009 — que sugerem uma ocupação contínua de indígenas isolados voluntariamente.

Na comunidade vizinha de Ita’aka, na terra indígena Koatinemo, membros do povo Asurini relatam encontros fortuitos com esses grupos.

Desmatamento e mineração ilegal colocam em risco uma região amazônica com presença indígena

Desde 2011, Ituna/Itatá conta com uma portaria especial que restringe o acesso, gerenciada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), como medida preventiva para proteger os povos em isolamento. Essa normativa foi suspensa durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que a região se tornou a terra indígena mais desmatada do país, sob pressão de interesses agropecuários e mineradores.

As imagens recentes capturadas durante um sobrevoo em junho evidenciam grandes manchas de selva devastada, em forte contraste com o verde profundo da floresta amazônica ainda em pé.

Organizações como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) exigem do Estado avançar com a demarcação permanente de Ituna/Itatá, antes da realização da COP30 em Belém, prevista para 2025. “Proteger a floresta implica proteger os povos que nela habitam”, destacou Toya Manchineri, referência da COIAB.

Registros incompletos e conhecimento ancestral excluído

O Brasil reconhece oficialmente 114 registros de presença de grupos em isolamento, embora apenas um quarto esteja confirmado. Os demais, como o caso de Ituna/Itatá, são considerados evidências fortes, mas não suficientes para decisões administrativas definitivas.

Ativistas denunciam a inércia estatal. “O Estado exige provas qualificadas, mas nós os sentimos na natureza: pelos sons, pelos rastros, pelos cheiros”, explicou Mita Xipaya, ativista indígena de 24 anos em diálogo com a agência AFP.

Desde 1988, as terras não indígenas na Amazônia brasileira perderam quase 30 % de sua cobertura florestal, enquanto nos territórios indígenas delimitados por lei essa perda foi de apenas 2 %, segundo dados do Instituto Socioambiental.

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