Durante um evento em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil será o primeiro país a investir US$ 1 bilhão no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa internacional que busca recompensar economicamente os países que mantêm suas florestas em pé.
O anúncio foi feito no âmbito da apresentação oficial do fundo, promovida pelo Brasil e pela Secretaria das Nações Unidas.
“O Brasil liderará com o exemplo”, afirmou Lula, convidando outros países a fazerem contribuições igualmente ambiciosas para que o fundo entre em operação durante a COP30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém, na região amazônica.
Um fundo para transformar o papel do Sul Global
O TFFF busca mobilizar capital climático e reconhecer o valor ecossistêmico das florestas tropicais.
Lula destacou que o fundo foi projetado com o apoio do Banco Mundial, e mediante consultas com sociedade civil, povos indígenas e comunidades locais. Seu objetivo é mudar o papel dos países com florestas tropicais na luta contra as mudanças climáticas, mediante incentivos econômicos reais.
“As florestas tropicais prestam serviços essenciais: regulam o clima, armazenam carbono, protegem o solo e abrigam as maiores reservas de água doce do planeta”, sublinhou o presidente.

Capital climático: uma nova arquitetura financeira para a conservação
O TFFF busca reunir US$ 25 bilhões em capital inicial e alavancar até US$ 125 bilhões do setor privado.
A proposta contempla um fundo misto, onde os países investidores aportam um capital júnior que atrai investimentos privados (capital sênior). Os dividendos serão distribuídos anualmente entre os países que mantêm suas florestas e os investidores.
Segundo Karen Oliveira, da The Nature Conservancy Brasil, países como China, Noruega, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos já manifestaram interesse em realizar aportes iniciais.
A Amazônia como epicentro da ação climática
A COP30 será a primeira conferência climática realizada na região amazônica.
De 10 a 21 de novembro de 2025, Belém será sede da 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O evento reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações e sociedade civil para debater sobre:
- Limitação do aquecimento global a 1,5 °C
- Apresentação de novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC)
- Impulso de um “Mutirão Global” para conectar soluções locais com a governança climática
Financiamento para a Amazônia: fechar a lacuna
A região precisa de US$ 7 bilhões anuais, mas recebe apenas 10%.
Segundo Gustavo Souza, da Conservação Internacional Brasil, o TFFF poderia gerar US$ 2 bilhões anuais para a Amazônia.
Atualmente, a região recebe apenas US$ 600 milhões por ano, o que representa uma décima parte do necessário para conservar seus ecossistemas e comunidades.



