Chubut aposta em drones agrícolas e na restauração ecológica para recuperar as florestas devastadas por incêndios

O devastador incêndio que consumiu mais de 14.000 hectares em Puerto Patriada, na província de Chubut, deu origem a uma estratégia inédita de restauração ambiental baseada no uso de drones agrícolas para semear forragens desde o ar.

Quatro meses após o avanço do fogo, a Prefeitura de El Hoyo e o Ministério da Produção de Chubut iniciaram um teste piloto em 200 hectares afetados. O objetivo principal é acelerar a recuperação do solo e garantir alimento para o gado antes da próxima primavera.

A iniciativa surgiu como resposta à complexa situação que atravessam os produtores rurais e comunidades mapuches da região, onde a perda de pastagens obrigou durante meses a depender de fardos externos para alimentar os animais.

Além disso, o projeto incorpora tecnologia de precisão e monitoramento ambiental para avaliar a evolução das áreas intervenidas e definir futuras etapas de restauração ecológica.

Puerto Patriada
Chubut aposta em drones agrícolas e na restauração ecológica para recuperar as florestas devastadas por incêndios.

Como funciona a semeadura aérea com drones agrícolas

O procedimento começou com um trabalho de mapeamento digital realizado pela empresa Huella Cero, de Trevelin. A partir desse diagnóstico, os técnicos identificaram as zonas prioritárias e selecionaram espécies capazes de recuperar rapidamente a cobertura vegetal.

Para a intervenção, utilizam-se dois tipos de drones. Um pequeno realiza tarefas de levantamento e análise territorial, enquanto outro de maior porte dispersa sementes com cargas de até 100 quilos por voo.

Em apenas dois dias, o sistema conseguiu semear 40 hectares, uma velocidade muito superior à alcançada por métodos manuais ou maquinário terrestre convencional.

Além disso, essa tecnologia permite acessar setores montanhosos ou de difícil trânsito, onde as condições do terreno complicam as tarefas de restauração após um incêndio florestal.

Forragens para estabilizar o solo e recuperar os ecossistemas

As espécies escolhidas para o teste piloto foram agropiro e festuca, duas gramíneas resistentes ao clima frio patagônico que cumprem funções chave na recuperação ambiental.

Por um lado, essas plantas fornecem forragem para bovinos, ovinos, caprinos, equinos e aves de capoeira. Por outro, ajudam a estabilizar o solo queimado, evitando erosão e perda de umidade.

Especialistas também apontaram que o agropiro possui propriedades que dificultam a expansão do pinheiro, uma espécie exótica invasora em setores da Patagônia. Essa condição facilitaria posteriormente o retorno de vegetação nativa.

A estratégia contempla uma restauração progressiva. Primeiro busca-se recompor a estrutura básica do solo através de herbáceas e gramíneas; depois, em etapas posteriores, incorporar espécies autóctones como coihues e ciprestes.

Chubut aposta em drones agrícolas e na restauração ecológica para recuperar as florestas devastadas por incêndios. Foto: Infobae.
Chubut aposta em drones agrícolas e na restauração ecológica para recuperar as florestas devastadas por incêndios. Foto: Infobae.

As vantagens ambientais e produtivas deste método inovador

A utilização de drones agrícolas representa uma ferramenta de grande valor para enfrentar as consequências dos incêndios florestais em regiões sensíveis como Chubut.

Entre suas principais vantagens destacam-se a rapidez operacional, a redução do impacto humano sobre terrenos frágeis e a possibilidade de intervir em superfícies extensas com maior precisão.

Além disso, o método diminui custos logísticos e permite agir rapidamente antes que as chuvas intensas provoquem erosão severa ou perda definitiva de nutrientes no solo.

Do ponto de vista ecológico, as gramíneas semeadas ajudam a reter água, interceptar neve e favorecer o rebrote futuro de espécies nativas, fundamentais para reconstruir o equilíbrio dos ecossistemas afetados.

Ao mesmo tempo, a iniciativa fortalece a produção pecuária local ao reduzir a dependência de insumos externos e acelerar o retorno das atividades rurais em Puerto Patriada e outras áreas impactadas pelo fogo em Chubut.

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