Recentemente, Portugal apresentou o programa Pró-Rios, uma ambiciosa iniciativa de restauração de rios para proteger mais de 100.000 habitantes do risco de inundações.
A medida foi anunciada pela ministra do Meio Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em Lisboa.
Lá, a funcionária revelou que o investimento atingirá os 187 milhões de euros com o objetivo de recuperar mais de 1000 quilômetros de leitos antes de 2029.
O plano de Portugal para a restauração de seus rios busca enfrentar a situação crítica que o país enfrenta: hoje, 63 zonas de alto risco ameaçam milhares de cidadãos.
“Décadas de alterações nos rios, que foram canalizados, cobertos ou convertidos em aterros, desencadearam uma deterioração ecológica“, detalhou Carvalho ao The Portugal News.

Um investimento milionário para a restauração dos rios em Portugal
Segundo informou a ministra, as intervenções mais importantes se concentrarão em Lisboa, Oeiras/Algés, Faro, Albufeira e Tavira.
Em particular, para Algarve e Alentejo serão destinados 52,5 milhões de euros, enquanto as ações mais complexas serão executadas na capital e em Algés.
José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), detalhou que a primeira etapa de restauração de rios incluirá mais de 80 intervenções nas áreas mais sensíveis de Portugal.
O financiamento provém principalmente de fundos europeus, com um investimento médio anual de 46 milhões de euros desde 2020.
Cinco linhas de ação para a restauração de rios em Portugal
O programa estruturou suas intervenções em cinco eixos estratégicos:
- Renaturalização de leitos e margens
- Retirada de barreiras fluviais para manter a conectividade ecológica
- Erradicação de espécies exóticas invasoras
- Promoção da relação cidadã com os rios
- Melhoria do conhecimento e monitoramento dos sistemas fluviais
A restauração de rios em Portugal atuará tanto em áreas urbanas quanto rurais, eliminando fatores de risco e recuperando habitats degradados.
O objetivo transcende a prevenção de inundações: busca melhorar a qualidade da água, aumentar a resiliência hídrica e conservar a biodiversidade.

A importância da colaboração científica e o compromisso social
“A APA não pode assumir o desafio sozinha”, sublinhou Carvalho ao The Portugal News.
É que, tal como manifestou o representante, a execução do programa de restauração de rios em Portugal requer a participação ativa de universidades e associações ambientais.
Essas entidades serão chave porque aportarão conhecimento científico para a seleção das estratégias mais adequadas e o monitoramento a longo prazo.
O plano se alinha com estratégias nacionais como o programa Água que Une e a Estratégia Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas.
Além disso, Portugal trabalhará junto com Espanha no saneamento do rio Minho, atualmente afetado por excesso de sedimentos.
Espera-se que este acordo seja assinado na próxima cúpula ibérica em Huelva.
Como antecedente, entre 2017 e 2025 Portugal executou mais de 195 intervenções em quase 2100 quilômetros de leitos para restaurar e melhorar seus rios.
Por sua vez, em 2023 destinou 14 milhões de euros a 68 projetos fluviais, uma experiência que servirá de base para o desenvolvimento de Pró-Rios.
Em particular, o Governo português considera chave a valorização social do programa.
Desde o Estado acreditam que a restauração de rios fortalecerá a relação das comunidades locais de Portugal com seus leitos, fomentando assim espaços de recreação e educação ambiental.
Esta abordagem integral posiciona o Pró-Rios como um dos programas europeus mais relevantes em restauração ecológica e adaptação às mudanças climáticas.



