Debate público e números oficiais: o desmatamento na Colômbia atinge seu nível mais baixo em duas décadas

Nos últimos dias, um vídeo viral da criadora de conteúdo Mari Terán (@marianateranr) reabriu o debate sobre a evolução do desmatamento na Colômbia durante o governo de Gustavo Petro. Terán questionou afirmações que indicavam um aumento da perda de florestas, o que levou a revisar os dados oficiais do IDEAM e do Ministério do Meio Ambiente.

Os números mostram que entre 2022 e 2024 o país registrou o menor desmatamento acumulado desde que existe monitoramento sistemático. Embora em 2024 tenha havido um aumento em relação ao ano anterior, o balanço geral continua sendo o mais favorável em duas décadas.

Evolução anual do desmatamento

  • 2021 (linha de base): 174.103 hectares desmatados.
  • 2022: 123.517 hectares, uma redução de 29% em relação a 2021.
  • 2023: 79.256 hectares, o número mais baixo desde o ano 2000 e a primeira vez abaixo de 100.000 hectares.
  • 2024: 113.608 hectares, um aumento de 43% em relação a 2023, explicado pelo recrudescimento do conflito armado na Amazônia e o fenômeno de El Niño.

No acumulado, entre 2022 e 2024 somaram-se 316.381 hectares desmatados, o que representa uma redução de 39% em relação à linha de base de 2021. Este resultado supera amplamente a meta do Plano Nacional de Desenvolvimento, que propunha uma diminuição de 20% no período 2022–2026.

Fatores por trás do desmatamento

O Ministério do Meio Ambiente identifica como causas principais:

  • Praderização para apropriação de terras.
  • Expansão da pecuária extensiva.
  • Abertura de vias informais.
  • Mineração ilegal.
  • Corte ilegal.
  • Cultivos ilícitos, embora em menor medida em relação à fronteira agropecuária.

A ruptura de diálogos com grupos armados na Amazônia dificultou o controle territorial em departamentos como Caquetá, Guaviare, Meta e Putumayo, o que explica parte do aumento em 2024.

desmatamento na Colômbia
O IDEAM e o Ministério do Meio Ambiente confirmaram que entre 2022 e 2024 a Colômbia alcançou o menor desmatamento acumulado desde o ano 2000.

Estratégias de contenção

O governo atribui a redução alcançada a:

  • O programa Conservar Paga.
  • Acordos de conservação com comunidades camponesas, indígenas e afrodescendentes.
  • O Plano Integral de Contenção do Desmatamento 2023–2026.

Esses esforços também permitiram manter a cooperação internacional com países como Alemanha, Noruega e Reino Unido, que apoiam a proteção das florestas colombianas.

Importância do balanço acumulado

Embora 2024 tenha apresentado um aumento em relação a 2023, os relatórios oficiais destacam que o acumulado dos três primeiros anos do atual governo continua sendo o mais baixo desde que a Colômbia mede oficialmente o desmatamento.

A diretora do IDEAM, Ghisliane Echeverry, sublinhou que este período de governo representa “o menor número de desmatamento acumulado” em duas décadas de monitoramento sistemático.

Os números oficiais mostram que afirmar de maneira geral que “o desmatamento aumentou durante o governo Petro” não reflete o comportamento completo da série histórica. Embora tenha havido um aumento em 2024, o balanço acumulado entre 2022 e 2024 confirma uma redução significativa e o nível mais baixo em vinte anos.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Europa enfrenta uma onda de calor extrema: mais de 1.300 mortes e recordes históricos de temperatura

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que desde...

Greenpeace exige mais controles devido ao aumento de nitratos na água da Espanha e seu impacto ambiental

O aumento de nitratos na água gera crescente preocupação...

Honduras perde 65 mil hectares por incêndios florestais em 2026: impacto na água, fauna e ecossistemas

O Instituto de Conservação Florestal (ICF) informou que durante...

Onda de calor de 38 ºC no Reino Unido: trens paralisados por risco nas vias e alerta vermelha em junho

O intenso calor no Reino Unido tem gerado sérias...