Após mais de uma década de reivindicações, a Corte Suprema de Justiça da Nação emitiu uma sentença que obriga o Estado Nacional, o governo de Jujuy e as empresas JEMSE e Jujuy Hidrocarburos S.A.U. a implementar um plano de cessação e recomposição ambiental pelos impactos causados pela exploração de petróleo no Parque Nacional Calilegua e no poço Ca.e3, localizado na área CNO-4 Rio Colorado.
Greenpeace celebra a decisão: “É ilegal e perigoso operar dentro de um Parque Nacional”
Organizações sociais, comunidades indígenas e guardas florestais apoiam a decisão como um avanço na defesa ambiental.
“Esta decisão nos dá esperança de ver em breve esta área protegida sem petrolíferas e com os danos reparados”, expressou Noemí Cruz, coordenadora da campanha de Florestas da Greenpeace.
A organização vinha exigindo essa medida há anos, juntamente com guardas florestais, moradores e comunidades indígenas, denunciando a presença ilegal de empresas petrolíferas em uma área de altíssimo valor ecológico.

A Selva de Yungas: um ecossistema chave sob ameaça
Calilegua abriga metade das aves do país e espécies em perigo como a onça-pintada.
Criado em 1979, o Parque Nacional Calilegua protege 76.306 hectares de Selva de Yungas, um dos ambientes mais biodiversos da Argentina. Lá habitam:
- 123 espécies de árvores
- 103 espécies de samambaias e licófitas
- 120 mamíferos e 24 anfíbios
- Espécies emblemáticas como a onça-pintada, a taruca e a águia-pomerana
- Macacos, lontras, tucanos, corças, catetos e o cuíca
A sentença judicial: prazos, responsabilidades e supervisão técnica
A Corte estabelece como prazo limite o dia 31 de dezembro de 2030 para completar a remediação.
O veredicto ordena:
- Parar a atividade petrolífera no campo Caimancito e no poço Ca.e3
- Implementar um plano de recomposição ambiental coletiva
- Cumprir os requisitos técnicos e legais estabelecidos pela Secretaria de Energia e pela Administração de Parques Nacionais
- Responsabilidade solidária do Estado Nacional na execução do plano
- Supervisão direta por parte da Administração de Parques Nacionais
Antecedentes: concessões anuladas e resistências institucionais
Em 2015, a legislatura de Jujuy anulou as concessões de hidrocarbonetos dentro do parque, após a solicitação de múltiplos atores institucionais e sociais. No entanto, em 2018, a resolução 576 suspendeu o impacto da área do campo Caimancito, beneficiando as petrolíferas.
Em 2019, Greenpeace e a Associação Argentina de Advogados Ambientalistas apresentaram um amparo à Suprema Corte, solicitando a nulidade dessa medida e a proteção efetiva de 1.000 hectares da área afetada.
Biodiversidade em risco: espécies únicas e ecossistemas frágeis
A presença de petrolíferas coloca em risco habitats insubstituíveis e processos ecológicos essenciais.
O parque é lar de espécies raras como:
- Surucuá-aurora
- Rã marsupial
- Esquilos vermelhos, raposas do mato e cuícas
- Catetos, corças e macacos autóctones
A atividade petrolífera ameaça não apenas a fauna, mas também a estrutura florestal, os cursos de água e a qualidade do ar, afetando as comunidades que dependem desses ecossistemas.



