Nos últimos meses, o acesso principal ao La Martona Club de Campo mudou drasticamente. As árvores urbanas que enquadravam o caminho foram derrubadas parcialmente, com a remoção de entre nove e onze exemplares. A intervenção não apenas alterou a fisionomia do local, mas também gerou grande desconforto entre os moradores e proprietários do histórico country.
Os trabalhos também atingiram a floresta interna, um espaço considerado emblemático por seu valor ambiental e paisagístico. A decisão foi tomada pela administração do clube, que afirmou ter o aval do conselho de proprietários. No entanto, vários moradores questionaram a falta de comunicação oficial e duvidaram se o procedimento de consulta em assembleia foi respeitado.
As explicações sobre o corte das árvores foram mudando ao longo do tempo. Primeiro falaram sobre o risco de contato com fios elétricos, depois sobre problemas de visibilidade para os motoristas e, por fim, sobre um relatório técnico que alertava para o perigo de queda. No entanto, o estudo não foi divulgado publicamente, o que alimentou a desconfiança entre os habitantes.
A falta de clareza sobre o alcance da medida gerou críticas à administradora e ao conselho de proprietários. Muitos moradores apontaram que não apenas o patrimônio ambiental do clube foi afetado, mas também o espírito comunitário que deveria guiar decisões dessa magnitude.
A derrubada de árvores urbanas no country de Cañuelas desencadeou polêmica entre os moradores. Foto: El Ciudadano.
As árvores não são substituíveis
Na tentativa de compensar o impacto, a administração organizou em agosto um dia de reflorestamento que reuniu mais de 60 famílias. A iniciativa buscava plantar novos exemplares para criar uma floresta destinada às próximas gerações. No entanto, para muitos moradores, a atividade foi insuficiente diante da perda de árvores centenárias que levaram décadas para alcançar seu porte.
O episódio evidencia a necessidade de repensar a gestão ambiental em espaços privados de uso comunitário. A transparência na tomada de decisões e a consulta aos moradores são essenciais para garantir a preservação do patrimônio natural. O corte sem consenso e com argumentos pouco claros não apenas gera desconfiança, mas também enfraquece o vínculo da comunidade com seu entorno.
Além do reflorestamento, o desafio está em reconhecer que as árvores não são elementos substituíveis a curto prazo. Cada exemplar perdido representa décadas de serviços ecossistêmicos que não podem ser recuperados imediatamente. Em tempos de crise climática, cuidar da arborização urbana deveria ser uma prioridade, e não uma opção discricionária.
A situação da La Martona reflete um problema mais amplo: como conciliar as necessidades urbanas com a preservação do verde. A experiência deixa uma lição clara: cada árvore conta, e sua perda tem um custo ambiental e social que ultrapassa as fronteiras de um country ou de uma comunidade fechada.
A derrubada de árvores urbanas no country de Cañuelas desencadeou polêmica entre os moradores. Foto: El Ciudadano.
As consequências ecológicas do corte em zonas urbanas
A perda de árvores em áreas urbanas não se limita a uma mudança estética na paisagem. Cada exemplar desempenha funções vitais para a saúde da comunidade e do meio ambiente. Sua remoção reduz a capacidade de regulação térmica, uma vez que as árvores fornecem sombra, moderam as temperaturas e mitigam o efeito de “ilha de calor” característico das cidades.
O corte também implica um retrocesso na qualidade do ar. As árvores absorvem dióxido de carbono e liberam oxigênio, além de filtrar partículas contaminantes que afetam a saúde respiratória. Com sua ausência, aumenta a exposição dos habitantes a contaminantes e se perde um aliado crucial na luta contra a mudança climática.
Outra consequência direta é a alteração do equilíbrio ecológico local. As árvores servem de abrigo e alimento para aves, insetos e pequenos mamíferos. Sua remoção fragmenta habitats e reduz a biodiversidade em espaços que, como no caso da La Martona, constituem verdadeiros pulmões verdes dentro do tecido urbano.



