A desflorestação em Salta avança: segundo documentou Greenpeace, entre janeiro e setembro deste ano já se perderam 10.928 hectares.
A organização percorreu florestas nativas e registrou desmatamentos em quatro fazendas do sudeste provincial.
Faz já meses que a ONG alerta sobre a nova lei de florestas na província, a qual acelerará a destruição do ecossistema natural saltenho.
O número surge de um monitoramento por satélite realizado pela organização ambientalista, que além disso detectou um aumento nos pedidos de “mudança de uso do solo” após a regulamentação do novo Ordenamento Territorial de Florestas Nativas (OTBN) em agosto passado.

A nova lei de Salta que facilita a desflorestação e gera controvérsia
O recente OTBN de Salta convocou audiências públicas para transformar 40.577 hectares no que vai do ano.
A maioria dessas convocações foi realizada após a regulamentação publicada em 11 de agosto no Boletim Oficial provincial.
Segundo um levantamento de Salta/12, cerca de 31.331 hectares envolvidos nesses projetos correspondem a audiências convocadas após a nova normativa.
Apesar de a Secretaria de Meio Ambiente provincial ter esclarecido que o OTBN não terá efeito retroativo sobre projetos apresentados antes de sua regulamentação, há preocupação com o futuro.
“Insolitamente a nova Lei de Florestas de Salta estabelece uma zonificação flexível, que não determina geograficamente onde está proibido desmatar“, advertiu Hernán Giardini, coordenador da campanha de Florestas do Greenpeace Argentina.

Os casos de desmatamento que preocupam em Salta
Entre os projetos maiores à espera de uma audiência para desmatar encontra-se a fazenda Los Dragones no departamento San Martín.
Se avançar, este projeto afetaria 6.562 hectares líquidas, mais 2.684 hectares de proteção e reserva.
Cabe destacar que esta área inclui territórios de comunidades originárias limítrofes com Rivadavia.
Outro caso significativo é a fazenda Las 100 Leguas em Anta, onde foi solicitado a mudança de uso do solo para 6.983 hectares líquidas, com 4.713 hectares adicionais de “proteção e reserva”.
A audiência está programada para 7 de novembro no Centro Integral Tolloche.

A denúncia prévia de Greenpeace pela desflorestação em Salta
No início deste mês, Greenpeace apresentou um documento perante a Corte Suprema de Justiça da Nação denunciando que a atualização do OTBN viola a Lei Nacional de Florestas 26.331.
Nesta oportunidade, a associação ambientalista incorporou como fato novo a regulamentação da polêmica norma recentemente aprovada pelo governo de Gustavo Sáenz.
Trata-se da segunda vez que Greenpeace impugna o novo ordenamento saltenho.
É que, em fevereiro deste ano, quando o Executivo Provincial promulgou a lei, a organização já havia apresentado questionamentos.
A organização enumera cinco pontos críticos:
- Permitirá desmatamentos em 720.000 hectares
- Valida desmatamentos ilegais sem obrigar à sua restauração
- Habilita desmatamentos em florestas atualmente protegidas
- Fragmenta o território de espécies ameaçadas como o jaguareté
- Não consultou as comunidades indígenas em sua elaboração
“A desflorestação é um ecocídio que provoca mudança climática, desaparecimento de espécies, inundações, secas, desertificação, doenças, despejos de indígenas e camponeses, perda de alimentos, medicamentos e madeiras”, afirmou Giardini.

O compromisso climático que a Argentina descumpriria pela desflorestação
A organização lembrou que a Argentina assinou um compromisso de Desflorestação Zero para 2030 na Cúpula Climática de Glasgow 2021, mas mantém altos índices de destruição de florestas nativas.
A província habilitará mais de 700.000 hectares mediante cotas por bacias, o que “inevitavelmente provocará que os latifundiários acelerem o pedido de permissões de desmatamento“.
Por isso, Greenpeace lançou a campanha votaporlosbosques.org para reclamar que os incêndios florestais e desmatamentos ilegais sejam considerados crime penal.
Já participaram mais de 270.000 pessoas nesta iniciativa cidadã e todos podem assinar.



