Há uma década, o mundo concordou com uma estrutura comum para enfrentar a mudança climática. O Acordo de Paris estabeleceu como meta conter o aumento da temperatura global. Seu eixo central foi reduzir emissões e fortalecer a adaptação dos países.
O tratado consolidou uma linguagem compartilhada e metas de longo prazo e introduziu compromissos nacionais revisáveis e um sistema de monitoramento internacional. Também instalou a ideia de responsabilidade diferenciada entre países.
Dez anos após sua adoção, o balanço mostra avanços desiguais, pois ainda persistem tensões políticas, econômicas e de liderança global. Ainda assim, o acordo continua sendo uma referência chave para a ação climática.

América Latina: marcos legais fortes, resultados limitados
Na região, o acordo impulsionou leis e planos climáticos nacionais. Como resultado, vários países criaram marcos institucionais que antes não existiam, conseguindo que a agenda climática ganhasse espaço na política pública.
Foram desenvolvidos planos de mitigação e adaptação com horizonte 2030 e 2050. Alguns países incorporaram metas de neutralidade de carbono, sendo o setor elétrico protagonista de boa parte dos avanços iniciais.
No entanto, as emissões regionais continuam aumentando. A dependência de combustíveis fósseis continua alta. A lacuna entre planejamento e resultados concretos persiste.
Financiamento climático e desigualdades estruturais
A implementação dos compromissos depende em grande medida do financiamento externo. Os países industrializados concentram a responsabilidade histórica, enquanto os fluxos financeiros foram insuficientes e desiguais.
Grande parte do financiamento chega na forma de empréstimos. Isso aumenta a dívida de países com fortes desafios sociais. Por sua vez, a falta de recursos limita transformações profundas do modelo produtivo.
O acordo ordenou processos, mas não garantiu fundos suficientes e a justiça climática continua sendo um ponto crítico do debate, já que sem apoio financeiro sólido, a ambição climática se enfraquece.
Redução de emissões: avanços setoriais e grandes pendências
A expansão de energias renováveis lidera os cortes de emissões. Países como Chile, Costa Rica e Colômbia mostram avanços sustentados, sendo o setor elétrico o mais dinâmico na região.
Além disso, alguns países começaram a fixar tetos absolutos de emissões, enquanto outros avançam em direção a matrizes energéticas majoritariamente renováveis. Esses sinais marcam uma mudança de rumo relevante.
Em contraste, a agricultura e o uso do solo continuam atrasados. O desmatamento e a degradação de ecossistemas continuam pressionando o clima. Sem mudanças estruturais, a descarbonização continuará incompleta.

Como surgiu o Acordo de Paris e por que foi histórico
O Acordo de Paris nasceu como produto de anos de negociações sob a ONU. Este trato buscou superar a lógica de obrigações rígidas do Protocolo de Quioto e propôs compromissos nacionais adaptados a cada realidade.
A negociação culminou em 2015 com consenso quase unânime. Pela primeira vez, todos os países assumiram responsabilidades climáticas. O objetivo comum foi evitar os impactos mais graves do aquecimento global.
Foi assim que Paris instalou uma arquitetura flexível e progressiva. Cada país define suas metas e deve revisá-las periodicamente. Essa dinâmica explica sua vigência, apesar das tensões atuais.
O desafio atual: menos técnico, mais político
Atualmente, as ferramentas técnicas estão disponíveis, mas o desafio principal encontra-se na vontade política sustentada. Isso se deve ao fato de que o contexto internacional mostra retrocessos e discursos negacionistas.
A ação climática requer cooperação e liderança. Sem coordenação global, os esforços nacionais se diluem. O multilateralismo continua sendo um espaço chave.
Dez anos após Paris, o acordo continua de pé e seu futuro depende de decisões políticas concretas. A próxima década será decisiva para converter promessas em resultados.



