Dia da Terra: mulheres líderes de cooperativas agrícolas impulsionam a resiliência com inovação e economia circular

No Dia da Terra e no Ano Internacional da Mulher Agricultora, produtoras de Cajamarca e Ayacucho lideram o uso de biocontroladores e estufas para enfrentar a crise climática e a volatilidade dos preços.

No contexto do Dia da Terra, e diante de um cenário climático cada vez mais desafiador, as mulheres líderes das cooperativas agrárias peruanas emergem como protagonistas da sustentabilidade.

Através do uso de tecnologia e conhecimentos ancestrais, empreendedoras rurais estão transformando a agricultura frente às geadas, pragas e a instabilidade do mercado.

O desafio é urgente: segundo o Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Senamhi), 2025 fechou com 26 eventos de geadas intensas e friagens, superando drasticamente a média histórica de 18. Esta situação coloca em risco a segurança alimentar e o sustento de milhares de famílias alto-andinas.

Frente a esta crise, iniciativas lideradas por mulheres estão marcando o ritmo na implementação de soluções sustentáveis: em Cajamarca, Yesica Montoya, integrante da Cooperativa Agrária APT do Norte, lidera a transição para uma agricultura menos dependente.

Diante da volatilidade do preço da tara, os produtores diversificaram suas culturas com cereais e farinhas integrais. Além disso, substituíram produtos químicos por biocontroladores, ou seja, insetos e microrganismos benéficos que atuam como pesticidas naturais, protegendo a saúde do solo e do consumidor.

“Depender de um único produto era muito arriscado. Por isso decidimos diversificar e apostar em práticas mais sustentáveis”, afirma Montoya.

Enquanto em Ayacucho a mais de 3.600 m.s.n.m., Yésica Godoy, sócia da Cooperativa Agrária Frutos do Ande e Presidente da Associação de Mulheres Los Lirios de Totorabamba, implementou estufas para proteger culturas de ervas medicinais como hortelã, camomila, erva-cidreira e outras. Esta tecnologia não só reduz tempos de produção, como também permite o processamento de produtos desidratados.

“Antes vendíamos fresco e não era rentável. Agora trabalhamos com produtos desidratados, o que nos permite alcançar mais mercados”, explica Godoy.

Ambas as experiências compartilham um enfoque de economia circular, transformando resíduos orgânicos em composto para nutrir a terra de forma natural, fechando assim o ciclo de produção sem gerar resíduos contaminantes.

Este esforço ganha especial relevância este ano, declarado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como o Ano Internacional da Mulher Agricultora. A iniciativa busca fechar lacunas de gênero e reconhecer as mulheres como peças-chave na resiliência diante da mudança climática.

As histórias de Yesica Montoya e Yésica Godoy fazem parte da campanha “Mulheres Futuro Circular 2026”, uma iniciativa que visibiliza modelos de negócio circulares liderados por mulheres que geram impacto econômico e social. Esta campanha conta com o apoio da União Europeia, e os projetos são impulsionados pela ONG Autre Terre, fortalecendo o empoderamento da mulher no setor agroalimentar peruano.

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