Após conter os incêndios que devastaram mais de 16 mil hectares no Parque Nacional Los Alerces, dois novos focos começaram em La Tapera. A área está localizada em Puerto Ciprés, a 800 metros da costa norte do Rio Grande–Futaleufú, perto de Trevelin.
Ambos os focos estão a 500 metros entre si. O maior já afetou pelo menos quatro hectares, enquanto o segundo queima em um cânion de difícil acesso, o que complica o trabalho terrestre e aéreo.
Desde a madrugada, 34 brigadistas do Parque, de Trevelin e da Agência Federal de Emergências, junto com bombeiros voluntários, se mobilizaram com barcos, motobombas e mangueiras. Mais tarde, reforços de Chubut e Catamarca se juntaram, além de helicópteros e aviões tanque.

Restrições e prevenção em áreas sensíveis
Devido à operação, a navegação foi restringida no setor sul do Lago Futalaufquen e na Represa Amutuy Quimey. Lá as aeronaves recarregam água, por isso garantir a segurança é prioritário.
Além disso, as trilhas La Balsa e Laguna Toro foram fechadas preventivamente. Dessa forma, busca-se evitar riscos para os visitantes e permitir que as equipes concentrem esforços na contenção.
Essas medidas refletem a fragilidade do ecossistema andino-patagônico. Cada foco não só ameaça florestas nativas, mas também cursos de água, fauna e atividades produtivas vinculadas ao turismo de natureza.
Ação humana sob suspeita e contexto climático
Os incêndios anteriores no centro e norte do parque foram contidos após mais de dois meses, favorecidos por chuvas e nevascas. Aqueles começaram por tempestades elétricas e evidenciaram a dificuldade de intervir rapidamente.
No caso atual, não foram registradas tempestades na área. Por isso, as autoridades analisam uma possível origem intencional e já realizaram uma denúncia penal com intervenção da Polícia Federal.
Segundo Greenpeace, 95% dos incêndios estão vinculados a ações humanas, seja por negligência ou intencionalidade. Essa estatística reforça a necessidade de educação ambiental e controles mais rigorosos.

A situação atual na Patagônia argentina
A região norte-patagônica atravessa uma temporada crítica. A combinação de altas temperaturas, baixa umidade e seca prolongada elevou o risco extremo de incêndios em Chubut e províncias vizinhas.
Especialistas alertam que a mudança climática intensifica tempestades elétricas secas e períodos de aridez. Como resultado, a cada ano a superfície afetada triplica e o comportamento do fogo se torna mais imprevisível.
Paralelamente, a presença de pinheiros exóticos, altamente inflamáveis, agrava o cenário. Por isso, cientistas propõem erradicar espécies invasoras e elaborar protocolos baseados em evidências para decidir quando e como intervir.
Aprendizados e desafios pendentes
Os grandes incêndios recentes deixaram ensinamentos técnicos para brigadistas e gestores ambientais. A rapidez no ataque inicial se consolidou como a ferramenta mais eficaz para evitar desastres maiores.
No entanto, o custo social e ecológico é elevado. Famílias perdem moradias, animais e fontes de renda, enquanto as florestas nativas demoram décadas para se recuperar.
Diante deste panorama, a Patagônia argentina enfrenta o desafio de fortalecer a prevenção, restaurar ecossistemas degradados e promover uma mudança cultural que priorize a convivência responsável com o fogo.



